sábado, 8 de junho de 2013

Messias "Escrever-me, Envelhecer-me, Esquecer-me" (Digitalia, 2009)


            Após 17 anos dedicados a uma das principais guitar bands brasileira, Messias Bandeira, vocalista do brincando de deus (assim em minúsculas mesmo) lançou seu primeiro trabalho solo. Um álbum esmerado, produção absolutamente atípica no Brasil, até mesmo para os padrões da grande indústria fonográfica. Trata-se de um disco triplo, no qual cada um assume como nome uma parte do título "Escrever-me, Envelhecer-me, Esquecer-me".

                 Ao todo, somam-se 32 canções em 94 minutos. O disco contou com a participação de mais de 20 pessoas na execução das canções, o projeto ousado levou muito tempo para ser finalizado.

                 O disco 1, "Escrever-me", abre com "Resilience", uma amostra de todo o conteúdo sonoro do álbum, épico com arranjos de cordas de Pedro Augusto e Jorge Solovera e refrão marcante. Segue com outra das boas canções "Unread books", apresenta o lado acústico do disco, com uma cítara esperta entre os versos. A vinheta "Algoritmo" abre a melancólica "Offbeat", daquelas certas aos órfãos do brincando de deus, linda. "The road to us" é uma balada melancólica, tem um solo de trompete de Alex Porchat rasgando o arranjo triste. "Avenida contorno", assim como o nome indica, tem letra em português, gravada apenas por Messias e André T., a ótima letra descreve uma noite de insônia em Salvador, bem longe da alegria habitual descrita noutras canções sobre a capital baiana. "Run to risk" também comandada por Messias e André é bastante etérea, contrasta com "Who i should be" balada tipo rock inglês de refrãozão. A canção título do disco 1, "Escrever-me", é uma vinheta noise feita por Messias, assim como acontece nas duas outras canções título. 

            Pode-se afirmar que o disco 2, "Envelhecer-me", é o melhor dos três. Começa reproduzindo parte da melancolia já apresentada em "Escrever-me", com "The machines are my family", perfeito guitar sound, assim como "Symetry". "Books are amulets" parece uma canção de banda pop inglesa, o mesmo vale para a "Daily goodbyes" bem anos 80 e melancólica. "Orbiting you" lembra Teenage Fanclub, das melhores com o bonito arranjo de teclado de André T. O disco 2 fecha lindamente com "They drug me everyday", provavelmente a mais bela do disco todo, o arranjo com piano de André T., trompete de Joatan Nascimento, cello de Kayami Freitas e baixo acústico de Alexandre Montenegro, emocionam nos 7 minutos da canção. Quase dá para desistir de chegar ao álbum 3 depois desta. 

                  Por fim, o disco 3, "Esquecer-me", o mais etéreo e eletrônico dos três, também é o que traz mais vinhetas, 4. Abre com "God, if you can hear me" e melodia guitar. "When life is not enough" traz Messias acompanhado apenas de seu violão. "No hay banda" trai o título e apresenta a melhor canção do disco 3, com banda e acordeon. "A última tarde de um império em chamas" fecha o disco triplo com um noise guitarra das mãos de Messias.

             "Escrever-me, envelhecer-me, esquecer-me" se fosse pinçado de seus melhores momentos seria o melhor disco do brincando de deus, sendo um disco solo do Messias, consegue ser o disco mais bem produzido de uma guitar band. Mas não é somente guitar, o disco varia outras nuances e consegue ser vasto, ainda que permeie sempre o território dos sons ruidosos e melodiosos. É um trabalho triste, pode ser até mesmo autobiográfico.

                   O álbum foi lançado em CD pelo selo baiano Digitalia, numa tiragem de mil cópias. O projeto gráfico de Messias, com ilustrações de Ricard Sans, é caprichadíssimo e traz um encarte de 32 páginas com todas as letras e ficha técnica das gravações, não traz foto. O álbum pode ser adquirido no site do Messias.

                   Quer ouvir? Download aqui!

Nenhum comentário:

Postar um comentário