quinta-feira, 16 de maio de 2013

Vulgue Tostoi "Impaciência" (Net Records, 2001)




           Primeiro disco do trio carioca Vulgue Tostoi é um tesouro perdido do rock brasileiro. A banda, formada em 1995 por Marcello H, Jr. Tostoi e Victor Z, levou 5 anos para lançar seu único registro, tempo suficiente para pensar em detalhes de produção e pesquisar timbres, o que deu resultado, o disco beira à perfeição.  

           O álbum tem 12 canções eletrônicas e orgânicas, uma característica fundamental no trio que sabe muito bem usar programações eletrônicas e efeitos para construir os arranjos. As letras de Marcello H também chamam atenção e por vezes parecem poesias musicadas. O Vulgue Tostoi foi associado ao Trip Hop, aquele estilo eletrônico viajandão que tornou-se 'hype' na segunda metade dos anos 90 e que deu notoriedade a nomes como Portishead, Tricky, Massive Attack... A ligação é justificada, vide "Vozes", "Vegetal"; em "Deleta" e "Mudo" o peso lembra mais a influência de Roni Size/Reprazent. Momentos mais orgânicos mostram a face mais brasileira da banda, como em "Terrorismo feliz" e "Guri zumbi". O disco é muito bem construído e produzido, as guitarras Jr Tostoi prendem o ouvinte.

             A única regravação fica por conta da versão Trip Hop para o clássico "Vapor Barato" de Jards Macalé e Wally Salomão, sucessos nas vozes de Gal Costa - presente no não menos clássico LP "Fa-Tal", de 1971 - O Rappa e Zeca Baleiro. Inclusive quando saiu o disco "Impaciência" o Vulgue Tostoi foi quetionado sobre um possível aproveitamento de situação, na cola do grande sucesso que "Vapor Barato" teve na gravação d'O Rappa. O caso é que aconteceu uma coincidência de as duas bandas revisitarem a canção quase ao mesmo tempo, contudo, O Rappa registrou primeiro, no disco "Rappa Mundi", de 1996, enquanto o Vulgue Tostoi registrou a canção numa demo tape do mesmo ano e também num video clipe, que concorreu na categoria Democlip no Video Music Brasil da MTV de 1998.
Bizz, edição 192, julho de 2001

              Gravado em 6 estúdios diferentes, e com produções de Tom Capone, Plínio Profeta, Álvaro Alencar e pela própria banda, o disco levou muito tempo para chegar ao mercado, o que não trouxe riscos da parte estética, afinal a proposta da banda em soar ao mesmo tempo orgânica e eletrônica não envelheceu, mesmo agora, dez anos após o lançamento. Boa parte da demora para "Impaciência" chegar ao mercado se deve ao contato com algum selo/gravadora que se dispusesse em lançar o disco como ele estava concebido, o que só mudou quando surgiu o pequeno selo carioca Net Records, especializado em distribuição de discos em bancas de jornais, e que já trazia em seu pequeno catálogo trabalhos de boa repercussão como os discos "Estamos adorando Tóquio", do Karnak, e "A vida é doce", do Lobão. O projeto gráfico é caprichado e completo, traz ilustrações de Marcello H, que também é artista plástico, letras e ficha técnica.



               O disco do Vulgue Tostoi teve uma boa repercussão na mídia especializada e a banda foi pra estrada com o trabalho. Contudo, trabalhou menos do que nos anos anteriores, quando teve oportunidade de mostrar seu som em festivais importantes como Porão do Rock, em Brasília, Free Zone, em Curitiba, e Abril pro Rock, em Recife, momentos que deixaram a banda conhecida nacionalmente.

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