terça-feira, 12 de março de 2013

V.A. "Os Excluídos" (Purnada Y Pranada, 1997)



A coletânea “Os Excluídos” traz 30 canções divididas desigualmente entre 10 bandas do Rio Grande do Sul. Há uma variedade de estilos, sendo algumas bandas indescritíveis e outras mais para o blues “nada original”, há até mesmo samba de boteco totalmente excluído.

Produzido e idealizado pelo músico e homem de mil ideias Egisto Dal Santo (ou Egisto 2, ou Egisto Ophodge) o álbum segue a anarquia habitual de seu produtor. O samba de Zé do Bêlo abre “Os Excluídos” com três canções que também estão presentes no primeiro disco do “Bezerra da Silva dos pampas”, muitos boas por sinal, aqui em versões diferentes das registradas definitivamente, destaque para “Gil Gomes falou”, com o verso original que substitui Ratinho pelo Alborghetti. Segue com outras bandas interessantes, como o pós-punk barulhento do A-cretinice Me A-tray dos guitarristas Egisto e Jimi Joe e a voz da bela Cléo, “Penso” é bastante soturna e carregada de peso. O pós-punk também se aproxima do som do Nada Público, que lembra bastante outro nome do pós-punk brasileiro, o Akira S & As Garotas que Erraram. O blues é quem manda no som das bandas Sindicato do Blues, das duas canções apresentadas uma é regravação para “Stormy Monday” de T-Bone Walker, e Ópera Bufa, também com duas canções.

Cinza Azul e Noite é umas das poucas que parecem trazer uma seriedade na sonoridade, com um teclado à la Doors e um vocal típico de bandas brasileiras do meio dark wave dos anos 80 em “Carros”, mostram melhor resultado em “Ballad of Bresta”, até nem parece a mesma banda (!) Outras maluquices surgem com as bandas Os Puta Merda, a única com 5 canções no álbum, todas com menos de um minuto e meio e algumas deliciosamente absurdas como “Bucetinha cabeluda” e “Macanuda sirigaita”. Outro destaque do disco é a Sweet Beetle Juice, com uma forte influência do rockabilly, letras em inglês e boas canções, como “Disappointed” e “Forum”. “Os Excluídos” se encerra com o som experimental e etéreo do Saltinmantra e as baladas de “violão bicho grilo” de Lecco Ferrara e Os Coitotes, ambos com duas canções cada.

A produção é simples e um ouvido atento vai perceber um monte de erros, ruídos e intervenções, involuntárias ou não, que permeiam algumas bandas gravadas ao vivo num estúdio de oito canais em sistema analógico. O projeto gráfico é simples e quase não traz informações sobre as bandas, no encarte há apenas o nome das canções e ficha técnica de concepção do álbum, não há informações técnicas sobre as gravações, nem integrantes das bandas. Uma página tem fotos de algumas bandas, também não identificadas.

“Os Excluídos” é uma produção do selo Purnada Y Pranada, propriedade de Egisto criada primeiramente para registrar os discos do Colarinhos Caóticos e seus trabalhos solos, mas, que deu espaço para acompanhar uma efervescência perdida nas garagens, como o próprio nome do álbum afirma, tratam-se de bandas excluídas e com exceção do Zé do Bêlo, as demais não ganharam espaço no rádio, tal como a frase estampada na capa prevê “CD Promo para não tocar no rádio”. “Os Excluídos” ganhou um volume 2 lançado no mesmo ano.

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