domingo, 3 de março de 2013

V.A. "Balaio do Sampaio" (MZA, 1998)



Sérgio Sampaio (1947-1994) foi um dos grandes compositores da MPB, apelidado e reconhecido entre os compositores malditos, ele justificava a fama, mantinha um comportamento complicado e intenso assim como suas canções. Os excessos e a indisciplina foram fatores decisivos para sua conturbada trajetória, ao mesmo tempo em que também somam brilho a sua pequena discografia.

Sérgio nasceu em Cachoeiro do Itapemirim-ES, nutria admiração e desprezo na mesma medida pelo conterrâneo Roberto Carlos, sonhava em um dia ter um de seus versos cantados pelo “Rei”, mas, isso até hoje não aconteceu. Numa ocasião Roberto Carlos por intermédio de seus assessores pediu uma canção para Sérgio nos moldes de “Eu quero é botar meu bloco na rua”, em resposta Sérgio mandou a bela e amarga “Meu pobre blues”, depois disso Sérgio não foi mais solicitado.

“Balaio do Sampaio” traz 12 conhecidos nomes da MPB interpretando o repertório distribuído nos três discos de Sérgio. Ao contrário da maioria dos discos tributo, este conseguiu mais acertos do que erros, muito por conta da aproximação dos interpretes com a obra do compositor. Outros malditos como Jards Macalé, Luiz Melodia, encaram com naturalidade “Velho bandido” e “Cala a boca, Zé Bedeu”, respectivamente, Zizi Possi empresta sua linda voz para a rasteira que Sérgio deu no Roberto Carlos (ops!) em “Meu pobre blues”, João Nogueira (1941-2000) e Zeca Baleiro não ficam atrás com as mais belas canções de despedida “Até outro dia” e “Tem que acontecer”. Nomes até então novos da MPB, Chico César e Lenine mostram sintonia e bons resultados em “Em nome de Deus” e “Pavio do destino”, esta com uma linda letra sobre sócio educação. Renato Piau, que foi guitarrista de Sérgio Sampaio, pega “Que loucura” e pouco muda da versão gravada por Luiz Melodia, no disco “Claro” (1988). E tem mais Erasmo Carlos, Eduardo Dusek, João Bosco e uma Elba Ramalho emprestando frevo-forró na péssima versão para o grito “Eu quero é botar meu bloco na rua”.

Organizado pelo compositor, parceiro e amigo Sérgio Natureza, “Balaio do Sampaio” tem projeto gráfico completo com letras e ficha técnica da gravações, lançado pela gravadora MZA, propriedade de Marco Mazzola e dedicado selo da MPB, o disco ganhou os palcos, mas, não teve uma grande repercussão, lamentável, pois, se trata de um belo trabalho e uma justa homenagem ao magricela mais pavio curto da MPB. Viva Sérgio Sampaio!

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