terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Karnak (Tinitus, 1995)



Depois do fim da menor big band do mundo, Os Mulheres Negras, o homem de muitas ideias André Abujamra viajou o mundo pesquisando sonoridades de lugares distantes, dialetos e culturas, gravou boa parte do que julgou interessante no seu gravador e de volta ao Brasil criou o Karnak, isso foi em 1993. Se n’Os Mulheres Negras tudo era dividido com seu parceiro Maurício Pereira, no Karnak André se escudou de mais 10 músicos de alta qualidade e até um cachorro, ou seja, encheu o palco para mostrar a sonoridade de sua torre de babel invertida na qual tudo cabia, uma salada de referências da música do mundo (o termo World Music provavelmente incomodou muito André Abujamra) de um dialeto russo inventado e de uma bagunça organizada, muito planejada e bem humorada. Para ficar melhor convidou para o disco uma seleção de bons nomes da música brasileira, tais como Tom Zé, Rolando Boldrin, Paulo Miklos, Lulu Santos, Maurício Pereira, Skowa, Chico César, Marco Matolli, Paulinho Moska, Natan Marques e outros...

Revista General
O álbum traz 14 canções em 52 minutos e muitos destaques: “Alma não tem cor” é o hit do disco e ganhou um premiado vídeo clipe de Hugo Prata, “Espinho na roseira/Drumonda”, tem uma daquelas letras sem fim que contam histórias de amor desencontradas, e mais “O mundo”, “Oxalá meu pai”, “Balança a pança”, “Comendo uma na chuva”. A única regravação ficou para “Cala a boca menina(o)”, de Dorival Caymmi, com a participação de Antônio Abujamra citando trecho de poesia de Álvaro de Campos, um dos heterônimos de Fernando Pessoa. Enfim, um belo disco que deve ser ouvido por completo.

Karnak, o disco, foi produzido e arranjado por André Abujamra e lançado apenas em CD pelo selo paulistano Tinitus, propriedade de Pena Schmidt, que havia trabalhado com André na época em que Os Mulheres Negras era contratado da Warner. O disco teve uma excelente repercussão e foi bem recebido pela crítica especializada, sua tiragem inicial esgotou-se rapidamente e não houve um nova prensagem, o que levou a uma cisão entre o Karnak e o selo Tinitus nos anos seguintes. O projeto gráfico é bem produzido e completo com encarte de muitas páginas contendo letras, ficha técnica, fotos e um pequeno release/apresentação escrito por André Abujamra. Sem duvida um dos discos independentes mais interessantes produzidos no Brasil durante a década de 90.

Quer ouvir? Download aqui!

6 comentários:

  1. Marcelo,parabéns pela postagem. Dos discos dos anos 90, esse é um dos que eu mais escutei. Gosto dele do início ao fim, em especial vale a pena citar a maravilhosa participação de Rolando Boldrim na música "espinho na roseira", com sua voz grave e original, mais contando algo do que cantando. Na realidade, todas as participações de outros artistas cairam como uma luva no disco, afinal, a intenção era criar uma world music bem "brasileira".Essa primeira prensagem foi de 100.000 cópias.Lembro bem do clipe Ai ai ai ai ai ai, tocou muito na MTV , era bem legal. Valeu. Quem sabe mais pra frente você possa colocar o segundo disco
    "universo umbigo", que não teve o mesmo impacto que o primeiro, más também é muito bom.Abraços.

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    1. Eduardo, meu velho!
      Obrigado! Este disco é caprichadissimo, só poderia ter saído da cabeça genial do André Abujamra, é um abuso de musicalidade e boas referências, se existe world music, tá tudo aqui. "Espinho na roseira/drumonda" é muito legal, modestamente, é minha preferida. O disco vendeu bem, mas, depois a Tinitus foi pro saco e o Karnak não relançou esta preciosidade, acho pouco provável que isso aconteça atualmente. Tenho o "universo umbigo" pretendo subi-lo sim, se você quiser posto um link no teu email para você baixar.
      Abraços, obrigado pelo apoio sempre!

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  2. Obrigado caro Marcelo, na verdade já tenho o "universo umbigo" em cd, eu comentei sobre a postagem pois sei que o seu blog deve ter um público muito grande que baixa os discos, e com certeza os mais novos não devem conhecer a banda. De qualquer maneira valeu pela atenção.
    Obs. Depois que vc colocou o disco, bateu saudade e coloquei no carro pra ouvir inteiro umas três vezes seguidas, realmente não é um disco datado, na verdade é atemporal, abraços.

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  3. Valeu por ajudar a recordar um disco que marcou uma época.

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  4. Eu vi uns 30 shows do Karnak nessa época, eram sensacionais. Esse disco é excelente, até hoje não entendo como músicas assim não tocam na rádio - ingenuidade minha rs.
    Parabéns pelo site novamente!

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