sexta-feira, 29 de junho de 2012

Prot(o) (Monstro Discos, 2003)





       Prot(o) é um quarteto de Brasília formado em 1996 pelo vocalista e guitarrista Carlos Pinduca, egresso do Maskavo Roots. Antes deste CD o Prot(o) já tinha uma repercussão bastante favorável com suas demo tapes (duas foram lançadas pela Monstro Discos) e pode testar o seu repertório em muitos shows e festivais pelo Brasil, um dos mais importantes foi  a apresentação numa edição paulistana do festival Abril Pro Rock, em 2000.  Ocasião em que abriram o show do Stephen Malkmus.


Revista Zero, edição 10

     O primeiro disco levou bastante tempo para sair e não decepciona em nenhum momento. São 13 canções certeiras, todas de autoria própria com riffs de guitarras em volume alto, arranjos bem construídos e boas letras, rock'n'roll meio indie rock em "Encarando a face do mal" e "O que eu procuro está em mim", punk rock em "Blecaute suburbano" e "Eletroacústica" - o Prot(o) gravou uma versão de "Terceira guerra" do Fogo Cruzado numa de suas demo tapes. "Fique" é preciosidade que poderia muito bem ser hit de rádio. A maioria das canções não passam de dois minutos e, pode crer, isso é um grande mérito para o álbum.



       A produção foi dividida entre a banda, Phillipe Seabra e Iuri Freiberger, o projeto gráfico é bastante caprichado, traz todas as letras, ficha técnica e fotos da banda numa montagem planetária com zepelins e naves espaciais, e na capa um simpático suíno tal como um pequeno príncipe em seu planetinha.

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quarta-feira, 27 de junho de 2012

V.A. "Apocalipse 2000" (Tamborete Entertainment, 2001)

          


            Um projeto inusitado, reunir 79 bandas e todas com uma canção de até 1 minuto, isso mesmo, aqui temos 79 bandas em menos de 79 minutos!
           
           Dentre 79 músicas fica difícil destacar algumas, então, é melhor citar nomes de maior repercussão na época e que fizeram parte da coletânea. São bandas de vários estilos e estados brasileiros. O álbum abre com veteranos do punk rock, Inocentes e a canção "4 segundos" (que na verdade tem 48 segundos) e segue com mais punk rock e hardcore (Nitrominds, Ação Direta, DFC, Jason, Dead Fish, CPM 22, Cambio Negro HC...) guitar bands (Snooze, brincando de deus, Pelvs, Cigarettes, 4 Track Valsa...) rock garageiro (Thee Butchers' Orchestra, Mechanics, MQN, Forgotten Boys...) grindcore (SOH, Nervochaos, Choke, STN, New York Against Belzebu...) maluquices sonoras (Zumbi  do Mato, Zé Felipe, Trap...).


            "Apocalipse 2000" foi lançado pelo selo carioca Tamborete Entertainment, que nesta época ainda era uma propriedade de Leonardo Panço e Rafael Ramos, pouco depois ficou somente para o Panço, Organizar o projeto não deve ter sido tarefa fácil, a qualidade das gravações em sua grande maioria é boa, outras soam como demotapes.
             

             O projeto gráfico, caprichado e bastante eficiente, ficou para o ilustrador e baixista do Jason, Poindexter e Melissa, Flávio Flock, os extraterrestres da capa foram feitos de massinha com um amplificador ao fundo, mais gelatina como elemento radioativo e barata de verdade, a foto é de Marcos Bragatto, o encarte traz ficha técnica de todas as gravações.

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quarta-feira, 20 de junho de 2012

V.A. “Enquanto isso… ?!” (Manifesto, 1991)




Uma coletânea que reúne 6 bandas do underground de São Paulo. Dois nomes mais conhecidos, 3 Hombres e Vzyadoq Moe, e outros quatro surgidos da ressaca criativa que predominava no rock brasileiro no começo dos anos 90.

Os lados do LP são nomeados como Este Lado e Outro Lado. O Este Lado, abre com a barulheira sucata-industrial-noise dos sorocabanos do Vzyadoq Moe nas canções “Santa Brígida” e “The Cabinet”, percussão onipresente e letras non-sense em inglês, português e língua desconhecida/imaginária.

Segue com o Notícias Popular (sic!), projeto do jornalista e músico paulistano Alex Antunes - junto do parceiro Akira S no baixo e tapes, mais RH Jackson na guitarra e Edson X na bateria - que aqui experimenta narrar as letras naquele seu jeito característico já demonstrado no microfone da sua ex-banda Akira S & As Garotas que Erraram, a potente banda garante o groove nas canções “Notícias Popular” e “4:33”, por sinal, os dois únicos registros deste projeto.

Este Lado fecha com o Solano Star, formação que emprestou seu nome do famoso navio que presenteou a juventude brasileira com várias toneladas de maconha em lata no verão de 1986. A banda capitaneada pela guitarra onipresente de Edgard Scandurra é um dos destaques da coletânea, o belo vocal de Taciana Barros soa bonito em “Yellow Eyes” e “Só o meu beijo cala a sua boca”, também são os únicos registros da banda.

O Outro Lado abre com uma banda formada só por mulheres, algumas já conhecidas de outras bandas, o AKT trazia em sua formação Karla, na quitarra; Dequinha, voz e teclados; Sandra Coutinho, baixo e voz, e Biba Meira, na bateria. Duas canções barulhentas e pesadas e letras em português e alemão.

O já veterano 3 Hombres vem em sequência com “Aventura” e “Leviatã”, boas letras e arranjos de guitarra, além de uma forte influencia de bandas norte-americanas. O Outro Lado se encerra com uma das mais importantes bandas do underground brasileiro dos anos 90, os piracicabanos do Killing Chainsaw estrearam em disco nesta coletânea. “Prudence” e “Lollypop” demonstram o potencial da banda para as boas melodias, aqui bem menos "esporrentas" do que o KC mostraria no primeiro disco. É importante fazer uma observação: neste momento um novo grito de liberdade era dado pelas bandas independentes, o de compor e gravar em outra língua, preferivelmente o inglês, sem se preocupar com relação de mercado, ou mesmo se alguém iria compreender alguma coisa até mesmo porque poucos ouviram.

Bizz, edição 67, fevereiro de 1991
“Enquanto isso...?!” inaugurou o selo Manifesto, criação de RH Jackson e Alex Antunes, com um catálogo de apenas dois discos - outra coletânea, “Rock de Autor”, saiu no segundo semestre de 1991 - trazia uma característica comum de lançar bandas/projetos desconhecidos e com total liberdade artística.

O projeto gráfico de Renato Yada é bastante caprichado, apesar da simplicidade da capa, a contracapa traz uma imagem de bibelô em várias cores e encarte de seis páginas grandes, uma para cada banda. Disponível apenas em LP, “Enquanto isso... ?!” teve uma repercussão pequena na mídia especializada, distribuição precária e nenhum show de lançamento, muito por conta da característica do projeto, logo foi esquecido.

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segunda-feira, 4 de junho de 2012

V.A. "Reiginaldo Rossi - um tributo" (Mangroove, 2000)




Discos tributos são sempre assim: tem alguma versão legal, mas a maioria fica devendo. Com o tributo ao Reginaldo Rossi (1944-2013) a afirmação acima se ratifica, contudo somente a ideia de pegar artistas pernambucanos (exceção feita, pelo menos, ao Zé Ramalho que é paraibano) para homenagear o repertório do grande ídolo popular Reginaldo Rossi já vale para conferir o trabalho que tem como mérito a diversidade de estilos num tributo, tem forró, MPB, ska, punk rock, eletrônicos experimentais, manguebeat...

O disco abre com Lenine interpretando a preciosidade “A raposa e as uvas” numa versão bem característica do intérprete. Zé Ramalho surge em seguida com um forró pé-de-serra da linda “Era domingo”. Cascabulho pegou “Deixa de banca” e arrebatou-a num ska “made in PE”. Querosene Jacaré transformou “Tô doidão” num surf punk muito divertido. Lula Queiroga quebrou “Pedaço de mau caminho” em vários pedaços desencontrados. Stela Campos e Loop B desconstroem “Tão sofrido”, bastante experimental, há de se levar em conta que os interpretes imprimiram muito bem seus trabalhos pessoais, se deram bem.  Geraldo Azevedo faz um karaokê de “As quatro estações” e garante a letra em sua bela voz. mundo livre s/a ficou devendo uma versão “mais forte” para a estupenda “Mon amour meu bem ma femme”. 

Eddie e DJ Dolores pegaram “Cuca fresca” e passaram despercebidos pelo disco. Via Sat fez uma versão muito legal de “Complexo de cachorro”, representaram muito bem a segunda geração do manguebeat. Otto se perde no hit “Garçom”, que por sinal não chega nem perto das melhores canções do (Rei)ginaldo Rossi. Devotos arrebenta no punkrock rápido e sem firula de “O rock vai rolar”. DPM E Os Fulanos refizeram um lado B do Rei, “No claro ou no escuro”. Veio Mangaba e Suas Pastoras Endiabradas chegam para destruir todas demais interpretações com um squizo-foxtrot-brega de “Ai amor”, uma versão linda. Comadre Florzinha com suas belas vozes capricham em “Desterro”, só percussão e voz. Por fim uma das bandas de rock mais esquisitas de Recife, o Paulo Francis Vai Pro Céu revive o clima jovem guarda, com peso, de “O Pão”.

“Reiginaldo Rossi – um tributo” foi lançado pelo selo pernambucano Mangroove, propriedade de Paulo André, com distribuição nacional feita pela extinta Abril Music e apoio da Prefeitura de Recife. O projeto gráfico é bonito, traz todas as letras, ficha técnica das bandas e suas gravações, além de uma frase do homenageado que realçava sua “modéstia habitual”: “Pra mim, se eu tenho a música, quanto mais pessoas gravam, melhor pra mim”.

"Reiginaldo Rossi - um tributo" teve uma repercussão pequena nacionalmente, não trouxe maiores resultados nem para as bandas participantes nem para o homenageado, de passagem vale afirmar que discos tributos não são compreendidos no Brasil - inclusos gravadoras, mercados e público.