segunda-feira, 28 de maio de 2012

Little Quail And The Mad Birds - EP (Tamborete/Gravadora Discos, 1998)



Bizz, edição 165, abril de 1999
                  

              Primeiro disco póstumo do cultuado trio brasiliense que agitou muitos shows e vendeu muta demo tape pelo Brasil durante boa parte da década de 90, o que lhes rendeu popularidade no underground com entrevistas e matérias em fanzines e revistas especializadas.
                        
    São 8 canções próprias, seis inéditas, pinçadas de toda a trajetória da banda, "Grande Reunião" saiu duma fita ensaio de 1988, outras são ao vivo flagram o LQMB ao vivo, num show em São Paulo de 1995, "Hippião" também é uma gravação ao vivo, tosca e suja, assim como boa parte deste EP que é cheio de músicas legais, tais como "Bunda" e "Composição de Sucesso". É um disco curto, mas daqueles que dão vontade de chamar os amigos e ir pra garagem fazer barulho.

                     EP é um lançamento da Tamborete Entertainment e Gravadora Discos, tem um projeto gráfico simples e eficiente, a capa traz com o baixista e "modelo" Zé Ovo fazendo a vez do garoto dos cigarrinhos de chocolate Pam, uma imagem clássica e bem aproveitada.
  
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domingo, 20 de maio de 2012

Rainer Pappon "O alemão da guitarra verde" (Yakisoba, 1993)



Bizz, edição 104, fevereiro de 1994
           Rainer Pappon é um guitarrista de mãos cheias, fundador da The Central Scrutinizer Band, uma big band que homenageia Frank Zappa desde 1989, inclusive foi reconhecida pelo próprio mestre. "O alemão da guitarra verde" é seu primeiro disco, lançado por conta própria apenas em CD em 1993, um dos primeiros discos independentes lançados em CD.

           São 7 canções zappianas todas de autoria de Rainer Pappon, que assina também arranjos e produção. Na execução desfilam 20 músicos, grande parte recrutados da The Central Scrutinizer Band, todos exímios instrumentistas e que podem/puderam ser vistos espalhados entre várias bandas da década de 90, como Karnak, Yo Ho Delic, Funk Como le Gusta, Pavilhão 9...

           O disco tem inspiração instrumental, muitos solos, principalmente da guitarra do Rainer e arranjos inusitados. As letras ficam em segundo plano, porém conseguem chamar a atenção, são totalmente nonsense, a começar com a primeira "X egg maionese com bacon" que retrata como pode ser perigosa a experiência de se alimentar desta iguaria das laricas nada saudáveis. Os alimentos também surgem na letra em inglês com o vocal de Maria Diniz em "Eat a banana and papaya". "O punheta do luneta" traz o baixista e vocalista Mano Bap recitando versos que descrevem o ato voyeurístico do punheteiro e sua luneta à observar o ato sexual bastante detalhado de um casal do apartamento próximo. Em "O inferno" a letra cria uma imagem de um lugar muito parecido com o Brasil, que também empresta tema à "Otário".

           O projeto gráfico eficiente traz as letras, ficha técnica e fotos de todos os envolvidos. A capa é uma foto de arquivo do alemão da guitarra verde em ação. Este trabalho foi totalmente auto produzido, levou o ano de 1992 todo para ser gravado, e foi lançado pelo selo Yakisoba, propriedade de Rainer Pappon.

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segunda-feira, 14 de maio de 2012

V.A. "Borboleta 13" (Mamma Records, 1996)



           Uma coletânea com bandas de Curitiba não chega a ser uma novidade, afinal as bandas da cidade tiveram meia dúzia destas para apresentar seus trabalhos, contudo, cada uma traz sua especificidade e importância.

           "Borboleta 13" tem nomes veteranos e outros recém-criados da cena local na segunda metade da década de 90, cada uma com uma faixa, vale destacar algumas. O disco abre com o Magneticoss, banda do incentivador do underground brasileiro JR Ferreira, e a canção "Hombre", uma tentativa de praticar um punk surf com letra em espanhol, tem até os mariachis. Skuba surge com o ska hit "Triado", ainda com Maurício Singer no vocal, muito legal. O Boi Mamão participa com "Ska com Paulera" e não foge ao título, pesado, rápido e com boa letra. O patrimônio do psychobilly nacional/local Missionários ressurge com "Haxi. Toi. Last", mas passam longe do som praticado nos primeiros anos; Via Appia faz de "the last time i died" algo bastante influenciado pelas bandas grunge norte-americanas. Monkey Brain representa a parte hardcore com "Maluco da areia". Tods e Bloom fazem parte da turma do shoegaze, com "Smile" e "Shadow's street" respectivamente. Intocáveis em "Muito além dos jardins" tem letra de abstrações sobre classes favorecidas e uma banda afiadíssima, boa gravação de um nome pouquíssimo conhecido. Por fim, o Mister Jack com "Pobre diabo", não foge do que já foi feito no Blues nacional, as letras sempre aparecem em segundo plano, como um acompanhamento para a banda desfilar solos e sequência de acordes e harmonias habituais do Blues.

             Quem mora em Curitiba já sacou donde surgiu o título do álbum, afinal, basta cruzar o calçadão da rua XV de Novembro pra se deparar com a senhora vendedora de bilhetes de loteria aos gritos: "Borboleta 13... É Federal..." Esse versos surgem na última faixa da coletânea organizada por Manoel José de Souza Neto, pode-se afirmar que esse disco fomentou a criação do selo Mais Records no ano seguinte.

             O projeto gráfico é caprichado, a capa é bacana, o encarte traz fotos de cada banda e letras das canções, além de uma lista de agradecimentos com nomes de revistas e jornais cuja maioria nunca escreveu uma linha sobre "Borboleta 13", fica evidente que o objetivo desta grande lista era ironizar mesmo.

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quarta-feira, 9 de maio de 2012

V.A. "Segunda Sem Ley" (Banguela, 1995)




                    "Segunda sem ley" é o resultado, ou uma sequência, de um projeto iniciado em 1990, Segunda Sem Ley era o nome do projeto que levava bandas e artistas de Porto Alegre/RS ao palco do Porto de Elis todas as segundas-feiras, era a chance de Egisto 2 (aka Egisto Ophodge, aka Egisto Dal Santo) produzir diversas bandas, até então Egisto tinha produzido apenas sua prórpia, o Colarinhos Caóticos. O projeto alegrou os começos de semana portoalegrensses e atraiu a atenção do público. Sucumbiu quando o Porto de Elis foi vendido, mas ganhou nova força noutro formato, virou programa de rádio na Felusp FM e, mais tarde, esta coletânea.
Revista General

                   Em "Segunda Sem Ley" são 18 bandas de Porto Alegre e com apenas uma canção, até parece que a seleção privilegiou as formações mais doidas da cidade, falar sobre cada uma delas é difícil, pois algumas realmente não têm nada a dizer, enquanto outras apresentam bons resultados, vamos a estas:

                   Júpiter Maçã se lançou pela primeira vez neste disco, e começou muito bem, "Orgasmo Legal" é divertida, poderia facilmente estar num dos LPs do Cascavelletes. Barba Ruiva e os Corsários faz um rockabilly afiado em "De Novo (Vagabunda)", letra hilária. Walverdes já mostrava fazer o barulho em volume alto que fazem até hoje, a letra homenageia Mussum e outros influentes finados. Tarcísio Meira's Band parece uma banda de hardcore, mas nada convencional, a letra relata atos de um padre safado. Pietá parece uma banda de grindcore. Tequila Baby apresenta um punk rock muito bom em "Malandro do Bom Fim", outra ótima letra e aquele jeitão ramoníaco inevitável. Aristhóteles de Ananias Jr. apronta "Bico de pato" com uma liberdade criativa e incursão de um saxofone notável. Space Rave com guitarras barulhentas e encharcadas de distorção, barulhos fantasmagóricos e vocal feminino/masculino, chega a lembrar o, também gaúcho, Damn Laser Vampires.

                    O projeto gráfico é caprichadíssimo, com capa e ilustrações de Allan Sieber, encarte com letras, fotos e informações de todas as bandas, além de uma apresentação do projeto. O disco teve pouca repercussão fora do Rio Grande do Sul  devido a sua pequena tiragem ficou pouco tempo em catálogo, encontrar um CD destes hoje não é tarefa fácil. Uma coletânea com muita banda e música para se descobrir mostrou que o projeto deu muito certo!

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