domingo, 18 de novembro de 2012

V.A. "Brasil Compacto" (Rockit!, 1996)


“Brasil Compacto” reúne 12 bandas em 22 canções, com exceção do Tenente Mostarda e de Fausto Fawcett que têm apenas uma composição cada. O álbum traz músicas inéditas de todos e tenta cobrir uma diversidade estilos dentro do rock produzido no Brasil na época. O que transparece no álbum é uma brasilidade de linguagens percussivas, grooves que alternam guitarras pesadas, vocais rap/embolados e letras sobre o cotidiano e abstrações.

Bizz, edição 136, novembro de 1996
Como quase toda coletânea, “Brasil Compacto” tem bons e maus momentos, os mais representativos surgem logo no início do álbum com o Eddie em “Falta de sol” e “Quando a maré encher”, primeira versão do hit regravado pela Nação Zumbi em “Rádio S.Amb.A,” (2000) e Cássia Eller, no “Acústico MTV” (2001). Os alagoanos do Living in the Shit soam bem no reggae-mangue “Quentura”. A veterana banda de Egisto Dal Santo, Colarinhos Caóticos, aparece distante da anarquia sonora de seus primeiros anos. O indie-caipira do Motorcycle Mama, depois apenas Motormama, é uma boa surpresa com “Nazitrekkers” e na bela “Malária a go-go”. O trio Maria Bacana é um destaque, punk rock melódico em português com letras sentimentais em “Primavera” e “Caroline”, a boa recepção que as canções tiveram fez do Maria Bacana a única banda da coletânea a lançar um disco pela Rockit!. Do interior de Sergipe vem o Lacertae, apelidados de Beck do nordeste em matéria da revista Showbizz, a banda mostra uma inventividade surpreendente em “100 km com um sapato”, não precisava nem de letra, pois a interpretação deixa a desejar. O paulista do Tiroteio carregam percussão de samba e vocais ragga de Sérgio Boneca em “Toc toc toc”, contribuem para a brasilidade do álbum. O General Junkie se dá bem no rock cheio de guitarras em “Convulsão” e no sambinha “O amargo”, boas letras e interpretações.

Das bandas que não se deram bem, é difícil deixar de citar o rap metal carioca Os Devas, a pior letra do disco em “Virgem erótica”, a música produzida num teclado também contribuiu no péssimo resultado. Os pernambucanos do Paulo Francis Vai pro Céu também merecem a menção nada elogiosa, “Esporte urbano” tem letra e interpretação muito ruins, um desperdício do arranjo de cordas, que caiu bem na canção, mas não a salvou do resultado fraco, curiosamente a banda se deu bem no tributo ao Reginaldo Rossi, mas aqui não perdoam os ouvidos. Por fim, Tenente Mostarda e Fausto Fawcett, a primeira faz um punk rock sem novidade nenhuma e uma letra que justifica a existência da banda, i don’t care. Já Fausto Fawcett mostrou que continua a fazer a mesma coisa que lhe rendeu um hit, popularidade em três discos e algumas polêmicas com suas loiras, letras tal como crônicas urbanas narradas sob uma mesma batida eletrônica, refrão pegajoso e irritante, entrou no disco porque sobraram quatro minutos.

“Brasil Compacto” foi lançado em CD pelo selo carioca Rockit!, propriedade de Dado Villa-Lobos que produziu o álbum junto de Sergio Espírito Santo. O projeto gráfico de Barrão e Fernanda Villa-Lobos, que assinam os encartes de quase todos os discos do selo, é completo e caprichado, traz fotos e informações de todas as bandas, não traz letras. A coletânea é um registro importante de bandas que em sua maioria não chegaram a gravar disco.

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2 comentários:

  1. Respostas
    1. É Blackflagpages! Eddie é uma das poucas que salvam o disco, excelente banda desde a primeira demo.

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