sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Maria Angélica "Outsider" (Vinil Urbano, 1988)



Bizz, edição 44, março de 1989
              O primeiro disco do quinteto paulistano Maria Angélica aproxima a capital paulista do underground inglês e norte-americano da segunda metade dos anos 80, em total sintonia com as guitar bands e o shoegaze britânico. Na formação traz o jornalista da Bizz Fernando Naporano, o guitarrista-enciclopédia-do-rock e, por muito anos, lojista de discos de São Paulo Carlos Nishimiya, o, hoje, veterano baixista Lu Stopa, Victor Bock na guitarra e o finado Victor Leite na bateria. Com exceção de Naporano, os demais integrantes participaram de várias outras bandas e projetos.

            “Outsider” traz nove canções com letras em inglês e sonoridade entre o pop e o barulho. “Shame of Love” e “Shyness” soam quase como baladas rock, “Purple Thing” tem um potencial de hit. A parte noise é dominada por uma forte influência do punk rock, “Holy Mind” e “Hotel Hearts”, “Another Life” é puro punk rock inglês circa 77, Fernando Naporano canta tal como Pete Shelley. Por sinal, é do Buzzcocks a única canção regravada pelo Maria Angélica, “I Don’t Mind”. Por fim a única em português a barulhenta “Absinto-me só”.

         O álbum foi gravado num espaço de tempo recorde, foram usadas apenas 3 horas entre gravação e mixagem para finalizá-lo. Lançado pelo selo paulistano Vinil Urbano e produzido por Rollando Castello Junior, proprietário da Vinil Urbano, em parceria com a banda. O álbum teve uma repercussão positiva, agradou o público brasileiro atento as movimentações dos porões estrangeiros e de bandas de selos como Creation, Rough Trade, Factory... o que permitiu ao Maria Angélica se apresentar em várias capitais e festivais que reuniam nomes do underground brasileiro e bandas de maior apelo popular.
          
     O projeto gráfico é bem construído e caprichado, uma característica do Maria Angélica, os seus discos são muito bem trabalhados visualmente, traz fotos, letras, ficha-técnica e uma bela capa. “Outsider” existe apenas em LP e há alguns anos aguarda reedição.

             Quer ouvir? Download aqui!

7 comentários:

  1. Marcelo Mara, muito obrigado pela postagem deste disco.,
    Um pouco depois do lançamento dele, eu assiti o Maria Angélica ao vivo no programa Boca Livre, programa apresentado pelo Kid Vinil que trazia bandas de rock paulistas e do resto do Brasil, principalmente aquelas mais ligadas à música alternativa. Toda segunda feira eu ia no teatro Cultura pra assistir a gravação do programa e me lembro bem desse dia. O Fernando Naporano estiloso com a cabeleira loira e um óculos escuro bem anos 80. A banda mandava bem ao vivo, porém alguns não entendiam bem a proposta de cantar em inglês, na época se valorizava muito o rock em português, talvez por dar uma sonoridade diferente das bandas inglesas da época. Algumas dessas bandas que pude ver ao vivo nunca vingaram e outras ficaram famosas depois de alguns anos, casos como ira!, Golpe de Estado, Inocentes, Garotos Podres, Ratos de Porão, Cabine C, 365, Mercenárias, Fellini, Metrô, Ritchie, Arrigo Barnabém, Itamar Assunção, e tantos outros artistas que não dá pra lembrar. Tive o prazer de ver ao vivo.Fica só na memória, não volta mais. Abraços.

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  2. háaaa, esqueci da grande banda Violeta de Outono, uma das que mais gosto. Assisti durante os anos 80 umas 20 ou mais apresentações da banda. Era tão maravilhosa ao vivo (ainda é) que não consigo apagar da memória estes shows. Tenho tudo deles, más vc podia postar alguma coisa pra quem não conhece. Tenho os discos e também um fanzine raro da banda com a história, relação de shows, informações emuito mais, vinha com a fita k7 The early years, com covers de outras bandas como pink floyd, gong, stones e the beatles e um flexi disc promocional, tenho tudo. Abraços.

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  3. Esqueci, vou digitalizar o fanzine e lhe enviar por email, se quizer. abraços.

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    1. Dumaco!
      Nunca pude ver o Maria Angélica ao vivo, infelizmente, mas, desde que soube de sua existência, no "Sanguinho Novo", fiquei com vontade de ouvir as canções, valeu a pena correr atrás dos discos, queria postar o "Stroboscopioc Cherries", mas, não consegui passar meu LP para mp3 e não encontrei os MP3 na net.
      Acho que durante toda a década de 80 boa parte do público não entendia a proposta das bandas que cantavam em inglês, uma pena, com exceção ao metal e vertentes extremas, estes sim eram liberados para fazer música em inglês, obviamente tinham um público segmentado e mais fiel.
      Você acompanhou uma época fantástica, gosto de todas as bandas que citou, e muito pouca vi ao vivo, queria ver Mercenárias e o finado Itamar Assumpção.
      Quanto ao Violeta, sou fã também. Mas, é outra que nunca vi ao vivo e olha que eles tocaram em Curitiba há uns 4 anos, não deu para viajar para lá dessa vez. Tenho alguns discos aqui sim, vou postar logo algum, inclusive, se você puder me mandar mesmo este escaner do zine e da capa da fita, ficaria imensamente agradecido e vou postar o "Early years" no blog sim, conheço os covers e tenho eles num CD aqui, o "Eclipse", também conheço um pouco sobre este lançamento, li na Bizz, é o único K7 lançado oficialmente pelo selo Wop Bop, e é uma raridade extrema. Parabéns!
      Obrigado pela visita de sempre, logo vem um "Devil Party" aí. hehehe
      Abração!

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  4. cara, o link pasa download não funciona mais... dá pra redisponibilizar?

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    1. Itacy!
      O link tá reativado. Confira aí, aqui no meu computador tá funcionando.
      Abraços!

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