domingo, 21 de outubro de 2012

Ortinho "Ilha do Destino" (Elo Music, 2002)


Ortinho abandonou sua ex-banda, Querosene Jacaré, em 1999, no ano seguinte já estava em São Paulo e iniciando a produção de seu primeiro disco solo. Talvez o próprio título do álbum faça referência à metrópole que abrigou a produção de "Ilha do Destino".

       A banda que acompanha Ortinho traz músicos experientes e de muita qualidade, isso garante a "Ilha do Destino" uma boa execução das 12 canções. A banda conta com Paulo Lepetit (baixo), Marcelo Jeneci (piano), Guilherme Kastrup (percussão e programações) e Adriano Pessoa (guitarra), além de músicos adicionais e participações especiais em quase todas as canções, todas autorias de Ortinho.

O disco abre com a classuda “Alto Zé do Nada” que empresta o nome do bairro de Recife conhecido por seu grande índice de violência, e que já havia sido cantado no punkrock/hardcore “Alto Zé do Pinho” do Devotos (do Ódio) para contar mais uma história de um personagem que sofre nas ruas e procura algum jeito de alimentar seu sofrimento, que é viver, Vange Millet divide os vocais.  "Cego da guia" recorre ao tema dos problemas sociais urbanos, miséria e fome, ambientada em Recife, Simone Soul toca bateria. "Faquir (o romance de Paulo Victor)" tem Zeca Baleiro nos vocais. "Ciranda de lia" é uma das mais belas canções do álbum, traz apenas os violões de Swami Jr e o trombone do veterano Bocato. "Na beira da praia" tem a participação de Chico César na guitarra, "Procurando Dum Dum" é uma parceria com Junio Barreto e tem a participação do mesmo. "O engano do humano" é parceria com Arnaldo Antunes e Antônio Risério. A única não inédita é "Sangue de Bairro", a mais pesada do disco, parceria de Ortinho com Chico Science & Nação Zumbi e que está presente no segundo disco da banda, "Afrociberdelia"

       “Ilha do Destino” apresentou mais um nome a nova geração de talentosos compositores brasileiros. Da parte musical do disco, Ortinho não se distancia das "raízes" pernambucanas que conheceu e promoveu com o Querosene Jacaré, mas soube diluí-las num trabalho que alterna momentos musicalmente mais voltados às influências regionais com arranjos eletrônicos que apresentam outras características do compositor e intérprete. O álbum foi lançado pelo selo paulistano Elo Music e teve uma repercussão mediana, gradativamente é redescoberto. O projeto gráfico é caprichado, traz todas as letras e    minuciosa ficha técnica, a produção é de Guilherme Kastrup e Swami Jr.

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