sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Maskavo Roots (Banguela, 1995)


                Numa das primeiras aparições do septeto brasiliense Maskavo Roots na mídia especializada a legenda de uma foto chamava a atenção, dizia: "Um jeito hardcore de fazer reggae", a mistura de gênero, seguida à risca pelo Bad Brains, funciona para apresentar o Maskavo Roots. Ainda assim soa limitada para dar conta dos vários elementos que compõem o primeiro disco da banda que traz 15 canções com ska, reggae e ritmos latinos com os dois pés fincados no rock'n'roll.

                O álbum abre como reggae pesado "Chá preto", o teclado de Quim em primeiro plano constrói um belo arranjo. Segue com o ska "Gravidade" com destaque para o backing vocal de Joana Lewis (conhecida atualmente como Joana Duah) que também joga mel na sopa em "Blond problem". "Tempestade" é o hit do disco, tem uma boa letra sobre desastre natural, mas cheia de esperança, foi regravada pelo Pato Fu no álbum "Televisão de Cachorro". "Escotilha" entrou na trilha sonora da novela Malhação.
               
Bizz, edição 117, abril de 1996
                
             A sequência da canções facilita a curtição do disco e mostram uma segurança rara em primeiros álbuns de bandas independentes brasileiras. As letras, quase todas em português, são um ponto alto, boas letras em reggae nacional é raro! "Don Genaro" e "Best mole" são divertidas, enquanto "45" esconde diálogos de um jovem e sua arma pronta para mandar bala em quem o incomodar. "Los grilos" é instrumental e "Yo no quiero trabajar" foi retirada da demotape de 1993. O disco poderia ter rendido grandes sucessos de rádio, pois as canções trazem aquela acessibilidade pop que agrada aos ouvidos, mas infelizmente não foi isso o que aconteceu.

              Maskavo Roots, o álbum, foi gravado em 23 dias no segundo semestre de 1994, lançado pelo selo Banguela e produzido por Carlos Eduardo Miranda e Nando Reis. Editado em CD, LP e K7, teve uma excelente repercussão na mídia especializada e mereceu até um raro relançamento na série Arquivos Warner, em 2006. O projeto gráfico é caprichado com fotos de Rui Mendes, todas as letras e ficha técnica. Volta e meia este disco é relembrado como um dos melhores da década de 90. Um clássico da MPopB!

                  Quer ouvir? Download aqui!

11 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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    1. Marcelo, acho muito legal vc colocar os textos recortados da antiga revista Bizz ou ShowBizz. Realmente, apesar de certas restrições quanto às críticas que eram feitas aos discos na época, a revista foi uma referência para todos que amam a música em geral, pois tinhamos poucos recursos para conhecermos novas bandas e pouca informação pois não existia
      a internet como ela é hoje. Realmente é uma ótima idéia, parabéns

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    2. Dumaco!
      Eu conheci estes discos primeiramente por causa das revistas Bizz/Dynamite/General e outras tantas que durações indefinidas. De certa forma, as resenhas e textos fomentavam a vontade de ouvir os discos, isso não era fácil né mesmo? O que eu tinha de fita k7 gravada, hoje guardo só as demotapes.
      Obrigado pela visita! Abraços!

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  2. Marcelo, que legal, comigo era da mesma maneira. Lia as críticas da revista e saia caçando alguem que tivesse o disco para gravar na fita. Tinha uma coleção de umas 500 fitas ou mais, fazia as capinhas e catalogava tudo. Era tudo manual. Também gostava da revista Dynamite, li algumas. Na época, lá pelos anos 85-90, frequentava quase que diariamente a galeria do rock e a Wop Bop,New Face, Devil records. Era engraçado que sempre encontrava figuras que hoje são mais famosos como João Gordo, Clemente dos Inocentes, o pessoal do Cólera, 365, Tatola do Não Religião. Uma vez dei de cara com o Fernando Naporano,que grande época. Por falar nisso vc tem o 1º disco do Maria Angélica não mora mais aqui? Esse eu não tenho mais. Abraços.

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    1. Dumaco!
      Eu fazia umas capinhas também , mas, chegou uma hora em que as fitas viraram uma grande bagunça. As revistas eu guardo todas e volta e meia ainda consigo umas edições antigas, procuro em sebos ou achou algum maluco vendendo lotes no mercado livre, ando procurando edições da Vírus e da Rock Press, além de fanzines dos 90's, 00's e atuais.
      Adoraria ter conhecido estas lojas que você foi, como moro no interior do Paraná, só conheci a Galeria do Rock em 2007, ainda existia a Devil. hehehe Ma,s as lojas da Galeria Nova Barão são boas.
      Tenho o disco do Maria Angélica sim, tenho os três. Vou subir o "Outsider" logo. Este tá na lista, é só fazer um texto e fotografar a capa.
      Obrigado pela visita Dumaco! Manda seu endereço para: marcelo_mara@hotmail.com, vou te mandar um adesivo do blog. Abração!

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  3. Eu tambem lia Bizz em 88/92 ( em Cuiaba MT)nasci em 75, me lembro de ouvir The wall no supermercado (riso)e falar pro vendedor isso não, recem saido da fase de disco de novelas da 5serie 86,teve um churrasco q ouvimos New Order Substance de um irmao da 8 serie...o Legiao 2 passou no patio com alguem da 8serie ... tinha rock nacional 80 na radio e new wave No bairro festas com musica eletronica, comecei a comprar guiado pela bizz, ouvi capital inicial com o vizinho da vó em Brasilia, mas o massa era um familia beatnik afrodescendente amiga da minha familia e seus infinitos vinis e da lhe fita walkman kk
    No 2 grau após as Boates sic! mudei de turma e conheci as festas de punk e metal, entre noites regadas a progressivo com amigos estudantes de musica classica, qdo entrei pra faculdade em 94 chegou Mtv em Cuiaba, me formei em Radialismo com a tese Rock Cuiabano Meios de Comunicação Alternativos e de Massa...Rock fica a dica kk
    Obs: Ouvindo a musica Tempestades desse disco,a do clip do piscinão publico aqui de Brasilia vaziao..Valeu

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  4. PO broder conserta o link ae, vai!
    Tem vários fora também...
    da essa moral aê... valeu, blog muito bom, ta salvo no meu Favoritos!!!
    abs

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    1. Felipe Abreu!
      Obrigado pelo comentário. A maioria dos links foram desativados pelo megaupload, e demora muito para eu arrumar todos novamente, não tenho este tempo agora. Mas, sempre que me pedem eu dou um jeito de fazer. O Maskavo Roots tá na ativa. baixe aí. Qualquer pedido, escreva.. Abs!

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  5. um dos melhores trabalhos dessa safra dos anos 90, acho até que a banda ficou um pouco "escondida" na época função do movimento mangue beat e da explosão que foi o Mamonas, poderiam ter tido um reconhecimento maior se tivessem ficado juntos, por mais tempo, esse é o único com a formação original da banda. Uma pena, pq esse disco realmente é muito bom.

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    1. Felipe, acho que você tem razão, outras fatores ofuscaram a possibilidade do Maskavo Roots ter estourado mesmo, tinha potencial. Mas tem uma coisa na trajetória da banda que também contribuiu para que ela não progredisse mais, essa história t´´a no filme "Sem Dentes sobre o selo Banguela. Recomendo que veja o filme, é muito bom!
      Abraços e obrigado pela visita!
      Disco Furado/Marcelo

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