domingo, 30 de setembro de 2012

Wado e Realismo Fantástico “A Farsa do Samba Nublado” (Outros Discos, 2004)




O terceiro disco do catarinense/alagoano Wado inseriu-o definitivamente entre os melhores compositores da nova MPB. São 12 canções com uma linguagem bastante própria, mas que guardam referências de samba-funk-reggae-rock e interpretações de outros autores.

O disco abre com “Tormenta” cuja letra traz uma passagem do filme “Magnólia” e insere um texto de Moacyr Scliar (1937-2011). Segue com “Grande poder” de Mestre Verdelinho, esta ganhou um videoclipe. “Vai querer?” tem uma das mais belas letras, autoria da dupla carioca Luís Capucho e Suely Mesquita. O samba-rock “Alguma coisa mais pra frente” foi resgatado do repertório da extinta banda paulistana Oito. A letra de “Carteiro de favela” faz uma visão poética da dura rotina do homem de amarelo. “Gargalhada fatal” é um reggae. Letras de amor surgem em “Fuso” e “Amor e restos humanos”. A melancólica “Deserto de sal” é uma das mais bonitas canções do álbum.

Em “A farsa do samba nublado” Wado assumiu uma banda, Realismo Fantástico, que gravou o álbum em São Paulo. Sérgio Sofiatti produziu o álbum e também foi o baixista do grupo. Wado quis construir um trabalho que resolvesse o impasse com que se viu nos discos anteriores, bem recebidos pela mídia especializada, mas sem grandes reflexos nas vendas, provavelmente não tenha alcançado metas mercadológicas, afinal o disco independente sofre num mercado tão combalido quanto fechado.

O álbum foi lançado pelo selo paulistano Outros Discos, que também editou o anterior “Cinema Auditivo”, teve sua tiragem esgotada e se encontra fora de catálogo. O projeto gráfico traz ilustrações de Wado além de letras e ficha-técnica, um trabalho caprichado em todos os sentidos.

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