quinta-feira, 13 de setembro de 2012

V.A. “Sanguinho Novo – Arnaldo Baptista revisitado” (Eldorado, 1989)


No final dos anos 80 Arnaldo Baptista já havia se refugiado num sítio em Juiz de Fora/MG, depois de passar momentos atribulados na capital paulista e ter uma vida tão errante como a de qualquer morador de rua, quando recebeu a notícia de que um grupo de jornalistas da revista Bizz, que também integravam as bandas Fellini, 3 Hombres e Akira S & As Garotas que Erraram, preparavam-lhe um disco tributo. Curiosamente, todas as bandas dos envolvidos na produção, os jornalistas Thomas Pappon, Celso Pucci e Alex Antunes, foram lançadas pela Baratos Afins, selo responsável pelos dois discos inéditos que Arnaldo gravou na década de 80.

Bizz, edição 53, dezembro de 1989
A elaboração do disco levou quase dois anos e conseguiu reunir 13 bandas. Cada uma apresenta sua forma pessoal para de ver o trabalho de Arnaldo. 3 Hombres revisitou “Dia 36” e cometeu uma das melhores versões do tributo. O Maria Angélica também se deu bem com a linda “Te amo podes crer”, uma história diz que enquanto gravavam a canção o vocalista Fernando Naporano exagerou tanto nos falsetes que gerou gargalhadas no estúdio, obviamente, na gravação os vocais soam mais comedidos. Sepultura e Ratos de Porão estupraram “A hora e a vez do cabelo crescer” e “Jardim elétrico”, respectivamente, Jão diria depois que nunca ouvira a versão original da canção. O DeFalla também cometeria um destes ‘arrombos’, mas sua versão pornô para “Vou me afundar na lingerie” foi limada do projeto. Mais funks são Akira S & As Garotas Que Erraram na faixa título e Skowa com “É fácil”. Vzyadoq Moe e Atahualpa Y Us Panquis cometeram versões aterrorizantes para “Bomba H sobre São Paulo” e “Sitting on the road side”, respectivamente, no meio da anarquia infernal produzida pela banda de Jimi Joe e Carlos Eduardo Miranda quem se deu melhor foram o sorocabanos da sucata. Fellini acerta em cheio na bossa lo-fi para “Cê tá pensando que eu sou loki?” e Paulo Miklos acompanhado de um piano Rhodes ligado numa caixa Leslie – inclusive o mesmo equipamento foi usado pelo Mutantes – imprimiu uma versão cabaret para “Superfície do Planeta”. Por fim, duas bandas de Belo Horizonte, Sexo Explícito com “O Sol”, versão sem brilho para a bela “Sunshine”, e Último Número, “I fell in love one day”, uma versão correta.
Bizz, edição 55, fevereiro de 1990

Faltou o Black Future que revisitou “Cyborg”, mas não entrou no LP, virou um “bônus” da edição em K7. “Sanguinho Novo” foi lançado pela Eldorado e teve uma repercussão positiva na mídia, isso se considerarmos como boa parte da mídia apenas a revista Bizz que fez resenha elogiosa, matéria extensa com o homenageado, um “faixa-a-faixa” no qual Arnaldo comentou sobre algumas versões, mais resenha do lançamento e publicidade em várias edições. A ocasião de lançamento, no Aeroanta de São Paulo em 1990, trouxe Arnaldo aos palcos depois de mais de 6 anos.

O projeto gráfico é eficiente e traz uma bela capa de Alain Voss, que também fez as capas do “Mutantes e seus cometas no país do baurets” e “Jardim elétrico”. “Sanguinho novo” foi lançado apenas em LP e há alguns anos espera uma reedição.

Quer ouvir? Download aqui!

6 comentários:

  1. Lucas! É um disco importante, marca um momento de afirmação da mídia para a relevância da obra do Arnaldo, depois de alguns anos de ostracismo.

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  2. Valeu pela preciosidade disponibilizada meu bom!!! Ótimo blog!!!

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    1. Jorge! Obrigado pela visita e qualquer pedido, tamo aí! abraços!

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  3. Excelente Album , eu tinha o vinil ouvi muito espero um relançamento em cd

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  4. Faltou a melhor versão ser comentada. Edgar scandurra fazendo ando meio desligado virar algo indescritível

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