sábado, 11 de agosto de 2012

Merda “Curtição dos Jovens” (Läjä Records, 2001)





Um dos discos mais divertidos do hardcore brasileiro. Não bastasse isso, talvez seja o disco mais importante do power violence nacional. O primeiro álbum do trio de Vila Velha/ES é uma coleção de 25 pequenas porradas entremeadas de vinhetas em pouco mais de 20 minutos.

O debute do Merda abre com “Xézus Kräst” um apelo para a juventude se distanciar das drogas. Em “Enfia seu próprio piru no seu cu” há em algum lugar um manifesto feminista. “Cidade” é bonita, versos bem gritados pelo guitarrista e vocalista Fábio Mozine, o mesmo vale para a faixa que dá nome a banda “Merda” e para todas as outras. “Usuários de drogas pesadas” é introduzida por um sampler do Piu Piu de Marapendi e finalizada com um áudio de rádio que relata um depoimento sobre um garoto de quatro anos que conhece diversas drogas, até parece brincadeira, vai ver é isso mesmo, pelo menos aqui.

 “Eu menti para você durante toda a minha vida...” alterna versos em inglês e português, momento relax do disco. “Feio” é uma auto declaração de que a beleza não é fundamental. “Graças ao merda” mostra que o Merda pode salvar vidas! “I love japanese bands” abre com um sample de “Anos 80” de Raul Sexias e é uma homenagem às bandas japonesas que certamente são muito influentes para os garotos do Merda; “Tô com vontade de sair louco correndo gritando pelado pelo meio da rua” encerra o disco e depois você dá um repeat!

O projeto gráfico é muito bom, porém não informa quem foi o artista que o criou a capa e o encarte de colagens com fotos e zoações com Shelter, atores globais, bode, partes do boi, o papa... Contém todas as letras e ficha técnica da gravação.

“Curtição dos Jovens” foi o sexto lançamento da Läjä Records, um dos principais selos independentes brasileiros da atualidade e que atualmente conta com um extenso catálogo de mais de 100 títulos. O selo criou uma marca registrada e todos os seus lançamentos podem ser identificados com um padrão de qualidade Läjä, quase sempre sujo, tosco e sem vergonha, contudo com um capricho poucas vezes observado em discos independentes.

Quer ouvir? Download aqui!

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