domingo, 29 de julho de 2012

V.A. “Prato Feito – O Canto da Cidadania” (Independente, 1997)




Uma coletânea filantrópica que reúne 15 artistas de Minas Gerais em interpretações de outros compositores, ou versões alternativas de suas próprias autorias. Trata-se de uma disco promovido por instituições públicas e privadas em favor da campanha Ação da Cidadania Contra a Fome, a Miséria e pela Vida, criada pelo sociólogo Betinho (1935-1997), e idealizada por Regina Spósito, que assina a produção junto com Alexandre Noronha.

O disco abre com João Bosco e sua parceria com Aldir Blanc no afro-samba “Ronco da Cuíca”, cuja letra tem bastante relação com o intento do projeto. Carla Villar interpreta “Canção do Sal” de Milton Nascimento. Sérgio Santos se faz acompanhar apenas de piano, pandeiro e violino em “Pecado Capital” de Paulinho da Viola. A bela “Menino das Laranjas” foi a escolha da mentora deste projeto, Regina Spósito, com inserção para “Camelô de farol” de Maurício TizumbaPato Fu apresenta “Vida de Operário” regravação do repertório da Patife Band, que por sua vez regravara do repertório do Excomungados, e que está presente no segundo disco dos mineiros, “Gol de Quem?” (BMG/Plug, 1996), aqui numa versão mais reggae. Lô Borges surge inusitado em “Índios”, sucesso da Legião Urbana.

 O quarteto de pesquisadores de instrumentos e uma verdadeira escola de música Uakti acompanhado da voz de Sylvia Klein recriam a linda “Cio da Terra”, parceria de Milton e Chico Buarque presente no clássico álbum “Geraes” de Milton Nascimento. “Haiti” sucesso da dupla Gil & Caetano, presente no péssimo disco “Tropicália 2”, ganhou versão de Bauxita e Alda Rezende. Gilberto Gil e sua “Roda” surge em seguida na linda voz de Titane. “Bandeira do Divino” de Ivan Lins e Vitor Martins, praticamente uma canção de exaltação às festividades religiosas espalhadas pelos rincões brasileiros, ganhou a interpretação das muitas vozes do Grupo Galpão.

“Prato Feito – O Canto da Cidadania” foi um projeto sem fins lucrativos, os envolvidos cederam seus fonogramas e toda renda foi revertida para o projeto Ação, o disco também homenageia Betinho. O projeto gráfico é bastante completo, traz todas as letras, ficha técnicas e fotos dos envolvidos, todos de boca cheia!    

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Um comentário:

  1. VOZ DOS SEM VOZES EM DOIS GÊNEROS MUSICAIS: BEZERRA DA SILVA VAI ONDE A CORUJA DORME & JOÃO BOSCO O RONCO DA CUÍCA

    http://mineirim-das-gerais-bh.blogspot.com.br/
    Wellington Bernardino Parreiras
    15/11/2012
    00:18

    Sempre que visitava cidades históricas embelezadas pelas cristalizações do suor dos escravos, miravam meus sentimentos sobre as figuras em paisagens disformes, porém tecidas fidedignamente pelos entrelaçados rearranjos civilizacionais que a conta-gotas extraiam matérias-primas: suores, dores, sangues sonhos, saudades, liberdade e autenticidade.

    Sentia como sinto o peso que pesa a pena do tinteiro sobre os espíritos ditos inferiores, não dos ditos senhoris que ambicionavam por séculos tesouros sem se quer sondar se pesavam as ideias do abstrato, envoltos do reluzir e em ouro, o diamante negro e os indígenas, porém em natureza latente não se lapida. Graças devemos os não registros da diversidade de violências para além de chibatadas aos doutos que em posse da racionalidade opressora e das artimanhas tecnológicas que há muito desintegrara o sentido natural do opressor, nos desfrutamos de memórias sem registros, sem face e sem identidade hereditária/social...,

    Todavia adornado por palavras-sentidos prenhe em seu cio de controvérsias, apreendi que são distintas-idênticas, quando não em falácias, as presencio em práticas dos gêneros lingüísticos adquiridos: tatuam-nos num processo inverso de Paulo freire de conscientização política libertária, somos conscientizados à des-conscientização política libertária e amplificamos o estado favela, vila, beco, cortiço e blá, blá, blá, mas na reconfiguração da refavela decoramos discursos políticos e cidadãos com o peso que pesa os registros dos mesmos senhoris de outrora, não com tinteiro e sim com....

    "A educação não tem como objeto real armar o cidadão para uma guerra, a da competição com os demais. Sua finalidade, cada vez menos buscada e menos atingida, é a de formar gente capaz de se situar corretamente no mundo e de influir para que se aperfeiçoe a sociedade humana como um todo. A educação feita mercadoria reproduz e amplia as desigualdades, sem extirpar as mazelas da ignorância.Educação apenas para a produção setorial, educação apenas profissional, educação apenas consumista, cria, afinal,gente deseducada para a vida." SANTOS, Milton. O espaço do cidadão. 5ª.Ed. São Paulo: Nobel, 1998. p 126


    Extemporâneo, meu espírito se compadece entre sentimentos e reflexões idênticas as tidas pelos nossos ancestrais, nas escolas, favelas, vilas, nos postos de saúdes e demais espaços de concentração popular-cidadã, contemplo espíritos demasiadamente des-configurados pelas opressões morais, éticas, educacionais, políticas, religiosas e demais soberanias consagradas por nós como “esteio racional", este que propaga comportamentos desenvolvimentistas desmedidos e excludentes...

    Mirem vossos olhares, porém antes vos advirto que superem os males que desconfortam seus estômagos e consciências e atentem-se às minúcias que se projetam e nos projetam confluindo tecidos destecidos constitutivos dos semblantes de nossos educandos, crianças, adolescentes, jovens ou adultos/idosos de vilas, favelas e áreas de risco....

    Agora após as náuseas fidedignas por estarem desvestidas de frescurites da boa educação que nos privilegiou, a duras pena para poucos de nós, definem uma só imagem sem rabiscagens sem confluir-se ao efeito da causa desumanizante de quaisquer segregações que ainda persistem em meio de muitos de nós em pleno século XXI às margens do terceiro milênio?

    De que lado o revólver ou as demais armas deixam de sinalizarem violências?
    As violências principiam com as armas?

    Referencias:

    FREIRE, Paulo. Conscientização: teoria e prática da libertação: uma introdução ao pensamento de Paulo Freire. 3. ed.
    GIL, Gilberto, Música Refavela gravação é de 1977.
    MOURA, Helena. O OURO DA LIBERDADE: A História de Chico Rey – Belo Horizonte: Alis Editora, 199.
    SANTOS, Milton. O espaço do cidadão. 5ª.Ed. São Paulo: Nobel, 1998. p 126.

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