domingo, 8 de abril de 2012

V.A. "No Major Babes Volume 1" (Paradoxx/Cafeine, 1994)



               Uma coletânea muito representativa se levarmos em consideração a ebulição que acometeu o underground brasileiro na primeira metade da década de 90, momento em que o que mais interessava para as bandas era promover sua própria revolução. Longe do dinheiro e olhos das multinacionais do disco, longe das estéticas pré fabricadas e modismos comerciais, e, portanto, longe das rádios e dos grandes palcos.

               "No Major Babes Volume 1" traz 17 bandas de 5 estados e de vários estilos em comum. Todas com demo tapes embaixo do braço, algumas até carregavam um primeiro disco independente, em busca de espaços para apresentar e distribuir material. Eram nomes fáceis em fanzines, um veículo que ajudou muito a promover a revolução nos porões.

               O álbum abre com o Ratos de Porão, um nome veterano, mas que em 1994 flertava com a cena alternativa paulistana, "Videomacumba" aparece em versão diferente da registrada no disco "Just another crime...". o Gangrena Gasosa comete mais uma zoeira em "Araizé", sempre naquela incrível mistura de thrash metal e elementos de umbanda que tornaram a banda reconhecida dentre os nomes do metal brasileiro, é diversão garantida O Virna Lisi se destaca das demais, pois traz a mistura de percussão com guitarra distorcida, a cozinha segurando o peso somadas as boas letras em português, alguns meses depois bandas pernambucanas viriam com mais bagagem e tornariam destes elementos a "tábua de salvação" para a música brasileira. Clemente e Thaíde & DJ Hum se uniram para recriar o clássico "Pânico em SP", boa surpresa de um encontro que poderia ter rendido bem mais que esta canção. O Second Come, que já tinha um LP recém lançado, trouxe a inédita "Violent kiss", é inegável a capacidade do quarteto em compor belas melodias. O Dash, um expoente preguiçoso das banda cariocas, participa em disco pela primeira vez com a porrada "Sexy Lenore", um "sub hit" barulhento e legal pra caralho!

                     O Concreteness batalhadores de espaço e de alta frequência no underground dos 90's vem com a alucinação alienígena de "Squinting look (Zemba)", criativos como sempre. O Volkana regravou um hit de Joan Jett sem novidade nenhuma, com exceção a baixa qualidade da gravação, razoável para uma fita demo, péssima para um CD, verdade seja dita, o Volkana era uma banda muito mediana e que recebeu repercussão aquém do que podia apresentar, será que era pelo fato de ser uma banda de garotas fazendo heavy metal? Creio que sim. O Safari Hamburguers com "Shelter of a fool" mostra um hardcore com bastante melodia. O Planet Hemp, que logo gravaria seu primeiro álbum e ganharia espaço na mídia por conta das polêmicas criadas em relação às suas canções, aparece aqui com uma das melhores músicas desta coletânea, "Puta disfarçada", obviamente ela não fala sobre maconha, e a música incidental "Repelente" do DeFalla é uma bela homenagem a influência confessa em grande parte das bandas do Rio. Speedfreaks e Black Alien fazem "Hit hard hip hop", um rap com boa batida, mas que se perde na letra que mistura inglês e português, ratifica a existência da Hemp Family. 

                        O Low Dream, considerada por muitos como a melhor guitar band brasileira, surge com "Treasure", também presente em seu primeiro disco. O Killing Chainsaw fazia shows imperdíveis e já carregava alguns fãs, além de um excelente LP lançado em 1992, "Evisceration" é um "hit", gravada primeiramente pelo Pin Ups no LP "Scrabby?". Make Believe é a única banda do Rio Grande do Sul, sonoridade de guitar band inglesa e letras em inglês. O Brother Rapp vem de Juiz de Fora/MG e tem um trabalho influenciado na escola Mike Patton, "Blackman" tem um instrumental de primeira, teclado bem sacado, peso, porém o vocal não demonstra muita criatividade e a letra em inglês não diz nada. O Intense Manner of Living (IML) traz "Change the verbs", o onipresente triângulo, aqueles de forró, fez bem à canção. O Tube Screamers é a mais punk/HC, "Seizure" tem bastante melodia nos vocais e na guitarra. Para encerrar surge novamente o Gangrena Gasosa com um remix de "Araizé".

                O álbum foi um projeto do jornalista e entusiasta do underground nacional daquele s tempos, Marcel Plasse, que criou o selo Caffeine e selecionou as bandas. A masterização ficou a cargo de RH Jackson, com anos de bagagem no underground paulistano. O projeto gráfico bastante caprichado é do ilustrador e cartunista MZK, o encarte não traz as letras, mas tem informações sobre as bandas.

             Pode-se afirmar sem medo que a boa quantidade de bandas independentes espalhadas pelo Brasil era tanta, que uma edição da coletânea como esta era pouco, logo providenciaram o CD Volume 2 destas bandas sem grandes gravadoras.

                Quer ouvir? Download aqui!
                Também disponível no Youtube!

12 comentários:

  1. Parabéns pela iniciativa. Adorei a idéia. Não podemos deixar este período tão importante para o rock nacional ser esquecido.

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  2. Neri! Tô atrás do Volume II, você saberá logo! Abração!

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  3. Marcelo, siga aí! Toda semana tem pelo menos um disco postado. Discos independentes passados devem ser sempre lembrados e disponibilizados! Abração!

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  4. Da hora ja esta baixado ,só musicas exelentes

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  5. É muita banda boa numa mesma coletânea. Valeu Etnocivis!

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  6. Cadê o No Major Babes Volume 2 ???? joga ele ai.

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    1. Tá aqui!
      http://discofurado.blogspot.com.br/2012/08/va-no-major-babes-vol-2.html

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  7. Opa, teria como dar aquela reupadinha? O vol 2 ainda tá on.

    Valeuzão!

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    1. O mediafire tá foda. Coloquei no Google drive, mas, como estou mexendo com isso agora, não sei se deu certo. Tente Aí Willis!
      https://docs.google.com/folder/d/0B4hCipcn4cw-NDZPSngtVm5pb2M/edit

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  8. Ótima postagem, ajudou bastante na pesquisa do meu blog sobre a história de Speed Freaks.

    Me tira uma dúvida? O que significa esse V.A. na frente do nome e o CD é mesmo de 1994? Encontrei na internet ele no ano de 1993.

    Abs!

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    1. SpeedfreakS A Lenda Viva!
      Parabéns pela pesquisa. Tenho uma revista de quadrinho, a Tarja Preta, que tem uma reportagem bem legal sobre o Speed Freaks, saiu depois da morte do rapper.
      V.A. significa Vários Artistas (ou Various Artists) e é usado para nomear coletâneas.
      Sobre a "No Major babes" tenho a mesma duvida, pois o CD não informa o ano, mas deve ser ou do final de 1993 ou 1994. A segunda edição da coletânea saiu em 1994 mesmo.
      Abraços e qualquer coisa, estamos aí!

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