quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Sala Especial (Bizarre Music, 2000)


Bizz, edição 173, dezembro de 1999
            Um EP com apenas 4 canções instrumentais fez um grande estrago quando lançado, capturou uma banda muito criativa e com uma proposta completamente diferente de tudo o que acontecia no underground brasileiro de mudança de século. Uma pena que a trajetória discográfica do Sala Especial tenha ficado apenas neste registro oficial, além de demo tapes disputadas à tapa.
            O Sala Especial fazia um som lounge, easy-listening, ou “música de elevador”, pura trilha sonora de sci-fi, ou trilha de vídeos de fórmula 1 dos anos 60, tem até os efeitos e barulhinhos que fazem toda a diferença. Não há canções para recomendar, o disco tem 12 minutos, ouça todas e repita-as! Não é à toa que a banda foi escalada sem titubear para abrir os shows que o Stereolab fez no Brasil em 2000, desnecessário afirmar que o combo franco-inglês ficou fã na hora.
            A capa do disco tem ilustração do jornalista Sérgio Barbo e design do baixista Mauro Cunha, tudo bastante caprichado. Foi lançado pelo selo e loja Bizarre Music, que também lançou o primeiro disco do Transistors, banda que divide referências com o Sala Especial. Enfim, este é um daqueles discos únicos, se eu encontrar mais um, compro e fico com dois!
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sábado, 8 de outubro de 2011

V.A. “Rock de Autor” (Manifesto, 1991)



"Rock de autor" reúne uma grande quantidade de músicos, produtores e jornalistas com canções e experimentos de estúdio. Ao todo são 19 nomes que interpretam suas criações, daí o nome “Rock de Autor”. Entretanto, o rock aqui é tratado de uma maneira bastante livre, há referências espalhadas por toda parte.
O álbum só existe no formato LP e teve uma tiragem de 1000 unidades. Foi o segundo lançamento do selo Manifesto, propriedade do jornalista Alex Antunes e do produtor R.H. Jackson, que antes havia lançado outra coletânea, “Enquanto Isso...”. “Rock de Autor” é algo como um "disco-alívio", aqui todos os envolvidos não têm compromissos para apresentar sua autoria. Fruto da ressaca do rock brasileiro dos 80's, "Rock de autor" é uma flecha sem alvo. Chama a atenção um detalhe na ficha técnica: a afirmação de que o selo Manifesto não detém ou questiona direitos autorais, ideia de R.H. Jackson.
O Lado A abre com o “We Bop” de P* Antunes (heterônimo de Alex Antunes) acompanhado de Akira S. e Bocato. Em seguida vem o multifacetado Aguilar, egresso da sua Banda Performática, com o reggae “As Gangs”. Paulo Miklos em sua primeira incursão solo apresenta “Esse é o Lugar” em versão bastante diferente da gravada em seu primeiro disco. O saudoso guitarrista e jornalista Minho K (apelido de Celso Pucci) se destaca com a instrumental “Drunk Rock”, o bottle neck soa bonito nas cordas deste amante fiel do velho rock’n’roll. Cid Campos também merece atenção com “O Verme e a Estrela”, música e letra bastante sensíveis, com direito à participação de seu pai, Augusto de Campos, na leitura de parte do poema da letra. A última do lado A traz Akira S., Charlie Crooijmans e Miguel Barella na ótima “Tokei”, com letra em holandês e a bela voz de Charlie, possivelmente a melhor canção da coletânea.
Bizz, edição 79, fevereiro de 1992
            O Lado 1 começa com a instrumental “Xote Inglês”, um xote mesmo, na verdade, uma bela zoeira entre Carlos Eduardo Miranda, Ricardo Salvagni, Jimi Joe, Neneco e Maria Andrade. Na sequência o produtor e guitarrista R.H. Jackson apresenta “O Gato de Schrodinger”. Dequinha e Zaba Moreau vêm com a ótima “Preposições”, uma letra feita de com preposições (sic) sob a música etérea. Arnaldo Antunes vem acompanhado apenas do violão em “E Só”, um poema concreto musicado de estilo característico. A instrumental “O Gato Vermelho” de Maria Andrade traz uma guitarra como golpes de navalha sob violão e meia-lua, uma das melhores do álbum, porém, faltam informações sobre esta faixa no encarte. Os guitarristas de mãos cheias Miguel Barella e Giuseppe Lenti apresentam a instrumental “Borgosan Frediano”, a única faixa do disco que não foi gravada especialmente para este projeto, pois data de 1988, e também pode ser encontrada, na mesma versão, no primeiro disco do Alvos Móveis (Suck My Discs, 1996) projeto inspirado dos guitarristas. Por fim, outro début solo, Nasi e a sua “Arábia Maldita (1h e 12min)”, uma letra de texto curto e música com colagens de estações de rádio.

            "Rock de autor" não teve nenhuma ocasião de lançamento, a característica do projeto de ser feito com experiências em estúdio se tornou difícil de se reproduzir ao vivo. A resenha de lançamento na Bizz, feita pelo DJ e jornalista Camilo Rocha, não destaca nenhuma faixa, pelo contrário, sobrou para Cid Campos o título da caretice MPBóide e uma constatação, projetos como este dão mais prazer para quem faz do que para quem ouve. Hmmm... pode ser.
            A produção de “Rock de Autor” é de R.H. Jackson e Eucy Próprio (também conhecido como Alex Antunes), a bonita capa é de Zaba Moreau, e no encarte cada autor tem seu espaço. Trata-se de uma obra dividida entre boas canções e outras nem tanto. Como coletânea, cumpre sua função e vale conferir, mesmo 20 anos após seu lançamento os momentos inspirados podem surpreender o ouvinte curioso.
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