Uma coletânea que reúne uma grande quantidade de músicos, produtores e jornalistas com suas canções e experimentos de estúdio. Ao todo são 19 nomes que interpretam suas crias, daí o nome “Rock de Autor”, entretanto, o rock aqui é tratado, e muito bem, de uma maneira bastante livre, há referências espalhadas por toda parte.
Este disco só existe em LP e teve uma tiragem pequena de 1000 unidades, foi o segundo lançamento do selo Manifesto, propriedade do jornalista Alex Antunes e do produtor R.H. Jackson, que antes havia lançado outra coletânea, “Enquanto Isso...”. “Rock de Autor” é algo como um disco-alívio, aqui todos os envolvidos não têm compromissos para apresentar sua autoria, criado na ressaca do rock brasileiro da década de 80 é uma flecha sem alvo. Chama a atenção um detalhe na ficha técnica, a afirmação de que o selo Manifesto não detém ou questiona direitos autorais, ideia de R.H. Jackson.
O Lado A abre com o “We Bop” de P* Antunes (heterônimo de Alex Antunes) acompanhado de Akira S. e Bocato, Em seguida vem o multifacetado Aguilar, egresso da sua Banda Performática, com o reggae “As Gangs”. Paulo Miklos em sua primeira incursão solo apresenta “Esse é o Lugar” em versão bastante diferente da gravada em seu primeiro disco solo. O saudoso guitarrista e jornalista Minho K (apelido de Celso Pucci) se destaca com a instrumental “Drunk Rock”, o bottle neck soa bonito nas cordas deste amante fiel do velho rock’n’roll. Cid Campos também merece atenção com “O Verme e a Estrela”, música e letra bastante sensíveis, com direito à participação de seu pai, Augusto de Campos, na leitura de parte do poema que é a letra. A última deste lado traz Akira S., Charlie Crooijmans e Miguel Barella na ótima “Tokei”, com letra em holandês e a bela voz de Charlie, possivelmente a melhor canção da coletânea.
O Lado 1 começa com a instrumental “Xote Inglês”, um xote mesmo, na verdade, uma bela zoeira entre Carlos Eduardo Miranda, Ricardo Salvagni, Jimi Joe, Neneco e Maria Andrade. Na sequência o produtor e guitarrista R.H. Jackson apresenta “O Gato de Schrodinger”. Dequinha e Zaba Moreau vêm com a ótima “Preposições”, uma letra feita de com preposições (sic) sob a música etérea. Arnaldo Antunes vem acompanhado apenas de seu violão em “E Só”, um poema concreto musicado naquele seu estilo característico. A instrumental “O Gato Vermelho” de Maria Andrade traz uma guitarra como golpes de navalha sob violão e meia-lua, uma das melhores do álbum, porém, faltam informações sobre esta faixa no encarte. Os guitarristas de mãos cheias Miguel Barella e Giuseppe Lenti apresentam a instrumental “Borgosan Frediano”, a única faixa do disco que não foi gravada especialmente para este projeto, pois, data de 1988, também pode ser encontrada, nesta mesma versão, no primeiro disco do Alvos Móveis (Suck My Discs, 1996) projeto inspirado dos dois guitarristas. Por fim, outro debut solo, Nasi e a sua “Arábia Maldita (1h e 12min)”, uma letra de texto curto e música com colagens de estações de rádio.
Este disco não teve nenhuma ocasião de lançamento vide o projeto ser feito de experiências em estúdio, algo realmente difícil de reproduzir ao vivo. A resenha de lançamento na Bizz, feita pelo DJ e jornalista Camilo Rocha, não destaca nenhuma faixa, pelo contrário, sobrou para Cid Campos o título da caretice MPBóide e uma constatação, projetos como este dão mais prazer para quem faz do que para quem ouve (é compreensível!).
A produção de “Rock de Autor” é de R.H. Jackson e Eucy Próprio (também conhecido como Alex Antunes), a capa, caprichada, é de Zaba Moreau, e no encarte cada autor tem seu espaço. Trata-se de uma obra dividida entre boas canções e outras nem tanto. Como coletânea, cumpre sua função e vale conferir, mesmo 20 anos após seu lançamento os seus momentos inspirados pode surpreender algum curioso.
Quer ouvir? Clique aqui e faça o download!

o selo manifesto foi criado pelo rh jackson comigo. essa formulação dos direitos autorais inclusive é dele! abraço. alex antunes
ResponderExcluirFala Alex! Sempre é bom saber que estas coisas chegam aos olhos de quem as fomentou. Obrigado pela visita, volte sempre. Atualizei os dados segundo seu comentário.
ResponderExcluirLogo quero postar aqui o "Enquanto isso..." e o "Prenda na minha"! Abraços!
Olá disco furado, muito boa sua matéria sobre este disco tão legal e que pouca gente conhece! Legal tb poder ouvir as músicas em mp3, pois fazia um tempão que não ouvia já que minha vitrola quebrou. Que bom que vc gostou da minha faixa,
ResponderExcluirabraço Maria Andrade
Obrigado Maria Andrade! Este disco é dos meus preferidos, quando pensei em começar um blog foi pensando em escrever e disponibilizar o "Rock de autor". E tua faixa é das minhas melhores. Obrigado pela visita! Um beijo!
ResponderExcluir