sábado, 17 de setembro de 2011

Concreteness “Numberum” (Tinitus, 1996)


            Extraterrestres estiveram no Brasil, se instalaram no interior de São Paulo, abduziram influências de toda parte e montaram uma banda que permaneceu em atividade durante boa parte da década de 90, de tão espertos ainda compuseram em nossa língua!
Bizz, edição 135, outubro de 1996
            
        Esqueça tudo isso. O quarteto Concreteness, de Santa Barbara d’Oeste formado pelos irmãos Cesar, Marco e Marcello Maluf, mais o Véio no baixo, fez muito barulho e chamou a atenção por onde passou, o Concreteness fez parte de uma cena, uma invasão de bandas do interior de São Paulo que sopraram para longe a poeira levantada pelo festival Juntatribo. "Numberum" é seu primeiro disco, depois de várias demos e participações em coletâneas.
            A faixa título abre o disco e a letra é uma lista de nomes e marcas que precursoramente nos revelam os efeitos globalizantes. O álbum segue com “Tchau”, um libelo anti-amor com a urgência do punk e poesia de ódio. Por sinal, estes três itens citados, a poesia, o punk e o anti-amor, são uma constante no disco. Marcello Maluf programou sua bateria eletrônica para desfilar 12 canções de raiva concentrada e que por vezes soam como poesias concretas musicadas, como em “Se” (Leminski deveria ouvir essa!) e na regravação de “Batmacumba”, outro clássico da MPB abduzido para o disco é “Deus lhe pague”. Não é à toa que a mídia chamava o Concreteness carinhosamente de "industrial caipira".
            “Numberum” foi um dos últimos lançamentos do selo Tinitus, propriedade de Pena Schmidt que deixou um catálogo de bons discos do período, e foi antecedido por uma experiência rara entre os independentes. Antes do début do Concreteness chegar às lojas foi lançado um single com quatro remixes da canção “Se”.
            A capa do disco traz quatro alienígenas e foi retirada da tatuagem de Marco Maluf, o encarte traz todas as letras, foto dos integrantes, ficha técnica e uma grande lista de agradecimentos. O Concreteness encerrou atividades poucos anos após o primeiro disco e deu lugar a outra banda de curta trajetória, o Jardim Elétrico. Atualmente, em 2014, a banda ensaia uma volta comemorativa mesmo sem o baixista Véio, falecido em 2009. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário