sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Marcelo Birck (Grenal Records, 2000)


                 Esse disco é essencial! O primeiro álbum do mestre das experimentações de estúdio, multi-instrumentista e letrista de mãos cheias das bandas Graforréia Xilarmônica, Aristóteles de Ananias Jr. e Os Atonais, eis "Marcelo Birck", o disco.
     
                 O processo de confecção do álbum foi longo, de 1997 a 2000, gravado nos estúdios de Thomas Dreher e Marcelo Birck, com um grande revezamento dos dois entre baixos, teclados, guitarras, bateria, percussão, mixagem e produção, além das participações adicionais de Alexandre Birck, Cristina Birck, Leandro Blessmann, Felipe Petry e Lawrence David.

     O disco abre com um possível hit “O meu cigarro”, uma balada à Jovem Guarda (qualquer música incidental é mera coincidência), cheia de ruídos e barulhinhos, ora a guitarra aparece no primeiro plano dos volumes, ora o vocal assume nossos ouvidos, um efeito estéreo analógico que dá um nó no cérebro, não se engane nem o disco ou seu aparelho estão com defeito. Logo depois entra “Dodecaedro”, a primeira experiência em estúdio do disco, outras virão. Em seguida mais um hit em potencial, “Biquínis em verso”, um ié-ié-ié em parceria com Plato Divorak e Julio Cascaes, essa canção também fez parte do repertório da Pipodélica. E seguem-se mais preciosidades como “Ié-ié-ié do Oiapoque ao Chuí”, “Sei que vou chorar”, “Surf atonal”, todas entrecortadas pelas intervenções de estúdio e fitas invertidas.

           O álbum foi lançado de forma independente pelo selo do próprio Birck, Grenal Records, que também é o autor da capa e toda arte do disco, que não traz fotos nem letras, mas a ficha-técnica é grande.
     
      Não há palavras para descrever esse disco (e quem precisa?). Então, parafraseando Chacrinha, Marcelo Birck está aí para confundir e não para explicar. Segue abaixo uma mini entrevista com o próprio especialmente para o blog Disco Furado:
     
1.    Como foi a criação deste disco?
Marcelo Birck - Na época da gravação do disco, os recursos digitais estavam recém se popularizando. Eu tinha alguns microfones de qualidade bem razoável, e várias demos que haviam sido gravadas ainda em gravador de rolo, além das pistas de algumas sessões (mas que em geral não passavam de três instrumentos). Com a possibilidade de edição, eu pensei: dá pra transformar este material em disco. E foi o que fiz. Composição e gravação acabaram saindo praticamente juntas, porque do material que eu tinha a maior parte acabou sendo editada, um processo de recriação mesmo. Detalhe: na época, eu tinha um 486 com 16 MB de memória RAM, e apenas dois canais de gravação. A solução foi gravar uma base para retorno em CD, e  depois ir sobrepondo os instrumentos em um programa de edição, um por um, na base da tentativa e erro. Me lembro da lerdeza de processamento, mas eu estava bem convicto do que eu queria.  Depois de começado este processo, levei em torno de um ano pra finalizar. 

2. Como foi a repercussão do álbum quando lançado? Como você vê o trabalho independente neste disco? 

Marcelo Birck - A repercussão foi muito boa, várias críticas elogiosas e bons espaços na mídia. Estava rendendo ainda em 2006 (seis anos depois de lançado), quando recebi  o convite pra tocar no TIM Festival. Também tive muito retorno indireto com esse disco. É fundamental entender que uma produção bancada pelo próprio artista tem um tempo muito próprio, e é preciso reconhecer isso, e saber dançar conforme a música. 


3. Como foram os shows? A banda e os lugares por onde este trabalho passou?

Marcelo Birck - Teve vários shows muito legais. O lançamento no Teatro de Arena, em Porto Alegre, foi um deles. Como não é um trabalho com características comuns, testei vários formatos de acordo com as circunstâncias. Por exemplo, usar bases gravadas. Ou acrescentar um laptop à banda de apoio. Usar três guitaras. Improvisar uma bateria com sucata de instrumentos de banda misturada com uma bateria eletrônica muito simples. Creio que os dois principais shows foram no já citado TIM Festival (2006) e no Festival Isso é Música?/! (2004), no Centro Cultural Banco do Brasil, ambos no Rio de Janeiro.
     
       Quer ouvir? Download aqui!
        Também disponível no Youtube!
     
No site do Marcelo Birck tem o disco em streaming (aproveite para conhecer os outros trabalhos do Birck! Os discos também estão à venda pelo site ou no email eletrolas@gmail.com)

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