O underground carioca sempre produziu bandas e projetos muito criativos, provocadores e caóticos, de Sinhô ao Jards Macalé, de Daminhão Experiença ao LP “Cadáver Pega Fogo Durante o Velório”, os anos 90 nos deram outros bons exemplares desta verve: Gangrena Gasosa, Zumbi do Mato e Rogério Skylab, junte estes três nomes e não terá o Piu Piu e sua Banda, entretanto, saberá que a primeira metade da década de 90 foi repleta de “fenômenos” musicias bizarros nos palcos do underground do Rio de Janeiro.
A banda foi formada em 1992 pelo inquieto Rogério Weimann, apelidado de Piu Piu, e não passou incólume, muito por conta das performances inesperadas de seu vocalista e compositor. Em qualquer matéria, resenha ou nota sobre a banda e seus shows parecia inevitável contar os causos e peripécias perpetuadas pelo frontman: Na Terceira Edição do Goiânia Noise Festival, em 1997, Piu Piu entrou no palco com a roupa em chamas e logo foi acudido por um roadie com um extintor de pó químico, terminou o show brindando os presentes com um copo de seu próprio mijo, segundo o vocalista, a única bebida da qual sabemos a procedência, sorveu todo o conteúdo do copo num único gole (essa narrativa memorável está descrita em detalhes no livro” 10 anos de Goiânia Noise” do jornalista Pablo Kossa). Quanto à entrada em chamas, o mesmo se repetiu na edição paulista do festival Superdemo. Noutras ocasiões, besuntou o corpo com creme dental, convidou as meninas do prostíbulo Vila Mimosa (homenageadas numa canção homônima deste “Antibiótico”) para realizarem sexo oral em pleno palco, disseram que o desempenho do piu piu foi constrangeador.
A banda fez muitos shows e como seu nome era muito comentado na cena underground de então, naturalmente, foi convidada a tocar em muitas mostras de Fanzines, como o Garage Zine Festival, no Rio, e no Zine Mutante 2, em São Paulo. Antes do lançamento deste primeiro disco, logo chegaremos lá, a banda participou do curta Metal Guru, do conhecido fotógrafo Flávio Colker, que mostra uma apresentação da banda no lendário e finado Garage, no RJ (a canção-título-tema é uma das treze faixas do álbum).
O CD abre com uma faixa interativa, que eu nunca consegui ver, e na segunda ataca com “Animal, animais”, com sua letra que ilustra os vários usos de animais nas embalagens de produtos comerciais, esta canção ganhou um clipe que durante muitos anos permaneceu perdido. Em “Vila Mimosa” o início da canção traz um monólogo sob uma música bastante rural que narra as dificuldades de um rapaz em busca de sexo, logo depois chega o riff de guitarra que culmina numa ode às meninas deste conhecido prostíbulo. Nas letras de “Lave no Tanque” e “Lustra Móveis” temos a mesma discrepância do autor em zoar a empregada que não sabe usar a máquina de levar roupas, e a “arte” de reparar nos móveis velhos da casa dos outros, respectivamente. A banda é bastante entrosada e os arranjos são bem construídos, o som é um rock setentão com predomínio de guitarra e baixo e bateria que caminham juntos, a terceira faixa, “Andando de ônibus” é uma mostra das qualidades dos músicos, que muitas vezes podem ter ficado em segundo plano nas avaliações sobre o trabalho da banda.
O CD foi o primeiro e único lançamento do selo Berinjela Records, uma livraria e sebo tradicional do Rio. A capa é um atrativo para colecionadores de bizarrices e dispensa comentários, o encarte vem em formato de bula de remédio, não se esqueça que o disco se chama “Antibiótico”, com todas as letras e ficha técnica, um trabalho gráfico bastante caprichado.
O disco teve shows de lançamento e resenha nas revistas especializadas, Rock Press, Dynamite, Showbizz... porém, não recebeu a atenção devida, nem pela capa provocadora , nem pelo conteúdo. A banda encerrou atividades no ano seguinte e este “Antibiótico” foi seu último remédio. Parabéns pelo registro!
Formação da banda no disco:
Piu Piu (vocais)
Fábio Brasil (bateria)
Marcelo (baixo)
Tavinho (guitarra)
Cegão (backing vocal)
Clipe: "Animal, animais"



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