Esta coletânea reúne quatro bandas curitibanas bastante relevantes dentre as bandas independentes brasileiras da primeira metade da década de 90, também são bandas importantes na história do rock produzido na capital do Paraná, vale lembrar que neste período Curitiba se notabilizava nacionalmente pela grande quantidade de bandas em atividade e pela variedade de estilos e vertentes do rock que estas bandas apresentavam.
O disco foi produzido cooperativamente pelas bandas participantes e teve apoio da Fundação Cultural de Curitiba, lançado e distribuído nacionalmente pelo selo paulistano Banguela Records – propriedade de Carlos Eduardo Miranda e dos Titãs. Este selo tem um papel importantíssimo nessa história.
Nesta época, depois da “derrocada” do rock brasileiro anos 80 e do estouro da Axé Music, Lambada e outras modas, haviam muitas banda novas, que em nada emulavam o rock que se popularizou na década anterior, alguns festivais independentes (o Juntatribo, em Campinas, teve grande destaque; BHRIF, em Belo Horizonte, BIG e National Garage, em Curitiba) e selos independentes (Tinitus, Radical, Rockit!, dentre outros). As revistas especializadas em música apostavam nestas novas bandas e o Banguela surgiu com esta proposta, lançar parte deste bom material espalhado pelo Brasil. Logo no primeiro lançamento, em 1994, o primeiro e homônimo disco do Raimundos, banda e selo se deram bem, o disco (lançado nos formatos LP, CD e K7) em pouco tempo vendeu 100 mil cópias e alavancou as produções do selo, ainda no ano de 94 o Banguela lançou os primeiros registros de mundo livre s/a, Maskavo Roots, Little Quail & The Mad Birds... Não é necessário afirmar que nenhum dos outros lançamentos foi páreo nas vendagens em comparação ao “Raimundos”, entretanto, isso envolve outros fatores, tais como, divulgação, distribuição, aparição em TV, rádio e outras mídias; enfim, o Banguela lançou muitos bons discos, mas, não trabalhava com os mesmos depois de lançados, com exceção do disco do Raimundos, todos os outros ficaram apenas em sua tiragem inicial de 3 mil cópias, saíram de catálogo em pouco tempo. Sem vendagens expressivas o selo encerrou atividades no seu segundo ano de vida.
Voltando ao “Alface”, das quatro bandas envolvidas apenas o Resist Control não havia gravado nada anteriormente. O Boi Mamão já tinha um compacto com quatro canções, lançado em 1993 pelo selo Bloody Records (propriedade de JR Ferreira, incansável produtor e incentivador do underground curitibano). Woyzeck e Magog já haviam participado, com mais outras três bandas curitibanas, da coletânea “Curitiba In Concert”, lançada em 1994 pelo selo One Hit, com tiragem limitadíssima e distribuição local.
No “Alface” cada banda tem quatro canções e quem abre o disco é uma das mais inventivas bandas brasileiras daquela época, o Boi Mamão. Este quarteto indecifrável é um dos pioneiros do Math Rock nacional, coisa de quem gosta de Fishbone e Mr. Bungle; na verdade, o som é uma grande mistura de riffs de guitarra pesados, estruturas quebradas de bateria e baixo somadas ao vocal insano de Glerm Pawdphita, à cantar insanidades (não me atrevo a descrever as letras, mas, “Kronkanildo” é um clássico imediato). A canção “Café com leite” tem a participação de Chico Science nos vocais, e na outras canções também sempre aparecem outras figurinhas curitibanas, como os Pinheads Julio e Dudu, Sergio Sofiatti e o produtor de 90% da cidade, Vitor França. Logo o Boi Mamão adicionou o Ska (com paulêra) ao seu Math Rock, o que mudou significativamente a característica “indecifrável” da banda, e foi assim que a banda gravou seu primeiro disco, “Compre, grave ou roube”, em 1998 pela Paradoxx (que lançou quase todas as bandas de Ska que despontavam no Brasil no final da década de 90). Encerraram atividades no ano seguinte.
A segunda banda é a debutante Resist Control, liderada pelo vocalista Daniel “Azulai” Martins (não, não é o grande desenhista e o criador da turma do lambe-lambe, Daniel Azulay). A banda fazia um som bastante identificado com o rap-core, que tinha grandes nomes no Rio de Janeiro, não por acaso, a banda participou depois da coletânea “Paredão”, lançada pela EMI, que reunia mais cinco bandas cariocas, sendo duas identificadas com o rap-core, Poindexter e Funk Fuckers, única exceção dentre às guanabaras é o Resist Control. A banda alcançaria uma longevidade e notoriedade, fez muitos shows e lançou dois discos, “Resist Control” e “Cesariana”.
A terceira banda é um dos grandes achados, e perdidos, da cena curitibana, uma “big band” chamada Woyzeck. Esta banda era um poço de criatividade, produzia um som “alienígena”, um grande liquidificador de estilos que unia rock-baião-repente-fandango-e-tudo-mais-que-coubesse-no-balaio, e ainda mais, com letras muito bem sacadas, deixou o clássico local “Putaria Franciscana”, também gravada no único CD próprio, e milionário, devido ao grande investimento, “Quebra-Queixo” (de 1999). As formações locais dessa época, o Woyzeck é a banda que tinha a maior comunicação com tudo o que acontecia de inovador e popular naquele momento da música brasileira, outrora chamada de MpopB.
A última banda da coletânea é o Magog, quarteto liderado pelo vocalista e guitarrista Cassiano Fagundes, que, segundo Jack Endino, fazia o que deveria se chamar de Heavy Metal, entretanto, é mais possível encontrar influências nas bandas norte-americanas como o TAD, e mesmo o veterano Neil Young, enfim, notadamente envolvida com o que convencionou-se chamar de grunge, mas, com qualidade surpreendente, a faixa de abertura, “Bark”, tem tablas (por Luciano Vassao, também guitarrista), “Eggs” trás guitarras avassaladoras numa canção guitarreira e estradeira dilacerante, o Magog deixou um hit local, “Fun”, porém, este ficou no début da banda, a coletânea “Curitiba in concert”. O Magog não deixou registro solo. “Alface” é uma amostra dessa diversidade da cena curitibana e brasileira, um registro da época em que uma parte das bandas brasileira respondia pelas “bandas de Curitiba”.
Neste link há uma reportagem sobre o 3º Rock de Inverno, realizado em 2002, que trouxe dentre suas atrações o Magog: http://www.youtube.com/watch?v=IOKOJyGlwOI%20
Neste link há uma reportagem sobre o 3º Rock de Inverno, realizado em 2002, que trouxe dentre suas atrações o Magog: http://www.youtube.com/watch?v=IOKOJyGlwOI%20
Neste link o vídeo clipe da canção "bola 8", do último disco do Boi Mamão: http://www.youtube.com/watch?v=yZRhKiB_AII
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CARA, MUIT OTEMPO ATRÁS DESTE CD, NA ÉPOCA PROCUREI PRA COMPRAR MS NÃO ACHEI, VALEU MSM!!
ResponderExcluirValeu Cannibal! Apareça sempre, aqui na minha cidade tem num sebo uma cópia deste disco, se quiser...
ResponderExcluirvaleu!!
ResponderExcluirtem mais discos do banguela aí?
: )
Fala Alex L. C.!
ExcluirTem sim, mas, não aqui no Disco Furado por enquanto, logo eyu subo outros, acompanhe ai que neste mÊs deve pintar mais um do saudso selo Banguela. Abraços e obrigADO!
salve mano, comentei como cannibal aí! continuo acompanhando seu trampo, demais cara! estou atra´s do pir coro cocor , vc sabe onde posso achar? abraço!! e parabens mano
ResponderExcluirSalve Coffeeboy! Pedido atendido!
ResponderExcluirhttp://discofurado.blogspot.com.br/2012/03/va-pircorococor-banguela-1995.html
Volte sempre, obrigado e um grande abraço!
cara, vim agradecer, cada hora to com um login diferente, reparei agora haha enfim, valeu mil vezes!!!
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