Só para fãs, e daqueles tipos mais estúpidos. Este disco é uma grande zoeira, reúne as ideias mais doidas do João Gordo com o apoio dos demais RDP's - Jão, Jabá, Spaghetti - mais o Sepultura - Igor, Max e Andreas - e outras intervenções em bandas que jamais existiram, muito menos foram preparadas ou ensaiadas. Como o título diz, são jam sessions ocorridas na década de 80 e que reunem parte da loucura que foi a trajetória do Ratos de Porão, quem já viu o documentário "Guidable" e o DVD de extras pode ouvir este disco sem problemas, o filme funciona como um guia.
Este CD foi lançado originalmente numa fita K7 em 1989, permaneceu como uma curiosa raridade até 2000 e mesmo depois de ganhar sua ediçao em CD em 2000, pelo selo Rotthenness Records (especialista em noise core, grind) não fugiu de sua característica existencial, um disco que não deve ser ouvido.
Entretanto, são 10 bandas em 12 faixas (mais um bônus surpresa), cada faixa é uma banda e as gravações são de baixa qualidade, variam entre o horrível e o audível. O CD abre com a Barulheiras Parkinson, a mais ativa das bandas inexistentes deste disco, basicamente reúne o núcleo RDP num revezamento de instrumentos, Jão volta pra bateria, Gordo mostra os "dotes" de baixista. O Jamais Jamel traz Gordo, Max e Igor ao vivo num lugar chamado Limbo, em 1988, numa banda de noise core que só teria público se se levasse em conta as figurinhas barulhentas da recém banda. PxDxRx é o RDP levando covers de Extreme Noise Terror, Discharge e Lurkers, gravação boa! Retumbators é algo que hoje chamaríamos de one man band mais tosca dos últimos dias, nada mais que o Gordo com um liquidicador, serviu de base para a formação do TDG, na década seguinte, dessa vez com o Pedrão a cargo do eletrodoméstico a serviço do noise. O disco segue com outras "bandas", tais como Fantahuva (ouça essa, parece um ensaio do Minutemen!) Spalmidead, Broken Foot, Madonna's Kids (um coral para o noise!) uma gravação de "Caos" com o próprio RDP e fecha com outra formação reunindo Sepultura e João Gordo, dessa vez denominados como J. Dingão e Seus Dingo Lindos ao vivo no Dama Xoc, covers de Titãs, Dead Kennedys, Sex Pistols, Ramones e outros numa gravação muito legal, quase um presente para quem prestou atenção em todas as bandas e faixas.
"We are a fuckin' shit" teve uma tiragem pequena e quase nenhuma divulgação, o eficiente projeto gráfico é da Priscila Farias, que ilustrou a fabulosa revista Animal, tocou bateria no Disk Putas e Kleiderman, o encarte traz as informações necessárias para conhecer o disco, e sem ele fica difícil reconhecer qualquer coisa nesta zona, tem a formação das "bandas" e canções. Enfim, um disco sem nenhuma pretensão que se não fosse este relançamento da Rotthenness permaneceria como uma lendária K7 cheia de pequenas lendas, ou histórias para contar, bom, na verdade ainda é isso mesmo.
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