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segunda-feira, 28 de maio de 2012

Little Quail And The Mad Birds - EP (Tamborete/Gravadora Discos, 1998)



                    Esse EP é primeiro disco póstumo desse cultuado trio brasiliense que agitou muitos shows pelo Brasil durante boa parte da década de 90 e vendeu muitas demo tapes, o que lhes rendeu popularidade no underground com entrevistas e matérias em fanzines e revistas especializadas.
                        
    São 8 canções próprias, seis inéditas, pinçadas de toda a trajetória da banda, "Grande Reunião" saiu duma fita ensaio de 1988, outras são ao vivo de um show em São Paulo em 1995, "Hippião" também é uma gravação ao vivo, tosca e suja, assim como boa parte deste EP que é cheio de músicas legais, tais como "Bunda" e "Composição de Sucesso", tente ficar parado, é um disco bem curto, mas, daqueles que te fazem ter vontade de chamar os amigos e ir pra garagem fazer barulho.

                     EP é um lançamento da Tamborete Entertainment e Gravadora Discos, tem um projeto gráfico simples e eficiente, a capa é muito legal com o baixista e "modelo" Zé Ovo fazendo a vez do garoto dos cigarrinhos de chocolate Pam, uma imagem clássica e bem aproveitada.
  
                     Ouça agora! Download aqui!



domingo, 20 de maio de 2012

Rainer Pappon "O alemão da guitarra verde" (Yakisoba, 1993)



           Rainer Pappon é um guitarrista de mãos cheias, fundador da The Central Scrutinizer Band, uma big band que homenageia Frank Zappa desde ????, inclusive foi reconhecida pelo próprio mestre, e este é o seu primeiro disco, lançado por conta própria apenas em CD em 1993, portanto, um dos primeiros discos independentes feitos apenas em CD.

           São 7 canções zappianas todas de autoria de Rainer Pappon, letras, músicas, arranjos, gravação e produção, por estas desfilam 20 músicos, muitos recrutados da The Central Scrutinizer Band, todos excelentes e que podem/puderam ser vistos espalhados entre várias bandas, dentre estas, Karnak, Yo Ho Delic, Funk Como le Gusta, Pavilhão 9...

           O disco tem inspiração instrumental, muitos solos, principalmente da guitarra do Rainer, arranjos inusitados e letras, talvez estas permaneçam num segundo plano com relação ao álbum, porém, conseguem chamar a atenção, são totalmente nonsense, a começar com a primeira "X egg maionese com bacon" que retrata como pode ser perigosa a experiência de se alimentar desta iguaria das laricas nada saudáveis; letra em inglês e vocal de Maria Diniz em "Eat a banana and papaya"; "O punheta do luneta" (como não prestar atenção nesta?) traz o baixista e vocalista Mano Bap recitando os versos que descrevem o ato voyeurístico do punheteiro e sua luneta à observar o ato sexual bastante detalhado de um casal do apartamento próximo; em "O inferno" a letra cria uma imagem de um lugar muito parecido com o Brasil, que também impresta tema à "Otário".

           O projeto gráfico traz todas as letras, ficha técnica e fotos de todos os envolvidos, bastante eficiente, a capa é uma foto de arquivo do alemão da guitarra verde em ação. Este trabalho foi totalmente auto produzido, levou o ano de 1992 todo para ser gravado, e foi lançado pelo selo Yakisoba, propriedade de Rainer Pappon.

           Quer conhecer este disco? Download aqui!

segunda-feira, 14 de maio de 2012

V.A. "Borboleta 13" (Mamma Records, 1996)



           Uma coletânea com bandas de Curitiba não chega a ser uma novidade, afinal as bandas da cidade tiveram pelo menos uma dúzia dessas para apresentar seus trabalhos, contudo, cada uma traz sua especificidade e importância.

           Essa aqui tem nomes veteranos e recém criados da cena local da segunda metade da década de 90, cada uma com uma faixa, vale destacar algumas. O disco abre com o Magneticoss, banda do grande incentivador do underground brasileiro JR Ferreira, e a canção "Hombre", uma tentativa de praticar um punk surf com letra em espanhol, tem até uns mariachis; o Skuba surge com o ska hit "Triado", ainda com Maurício Singer no vocal, muito legal; o Boi Mamão participa com "Ska com Paulera" e não foge ao título, pesado, rápido e com boa letra; o patrimônio do psychobilly local Missionários ressurge aqui com "Haxi. Toi. Last", mas, passam longe do som praticado nos primeiros anos; o Via Appia faz de "the last time i died" algo bastante influenciado pelas bandas grunge norte-americanas; o Monkey Brain representa a parte hardcore com "Maluco da areia"; Tods e Bloom representam a turma do shoegaze, com "Smile" e "Shadow's street" respectivamente; o Intocáveis em "Muito além dos jardins" tem letra de abstrações sobre classes favorecidas e uma banda afiadíssima, boa gravação de um nome pouquíssimo conhecido; por fim o Mister Jack com "Pobre diabo" não foge do que já foi feito no Blues nacional, as letras sempre aparecem em segundo plano, como um acompanhamento para a banda desfilar solos e sequência de acordes e harmonias habituais do Blues.

             Quem mora em Curitiba já sacou donde surgiu o título do álbum, afinal, basta cruzar o calçadão da rua XV de Novembro pra se deparar com a senhora vendedora de bilhetes de loteria aos gritos: Borboleta 13... É Federal... Esse versos surgem na última faixa desta coletânea organizada por Manoel José de Souza Neto, pode-se afirmar que esse disco fomentou a criação do selo Mais Records no ano seguinte.

             O projeto gráfico é caprichado, a capa é bacana, tem foto de cada banda e letras de todas as canções, além de uma lista de agradecimentos com nomes de revistas e jornais cuja imensa maioria nunca escreveu uma linha sobre "Borboleta 13", fica evidente que o objetivo desta grande lista era ironizar mesmo.

             Quer ouvir esta coletânea? Download aqui!

quarta-feira, 9 de maio de 2012

V.A. "Segunda Sem Ley" (Banguela, 1995)




                    Este disco é o resultado, ou uma sequência, de um projeto iniciado em 1990, Segunda Sem Ley era o nome do projeto que levava bandas e artistas de Porto Alegre ao palco do Porto de Elis todas as segundas-feiras, era a chance de Egisto 2 (aka Egisto Ophodge, aka Egisto Dal Santo...) produzir diversas bandas, até então ele tinha produzido apenas a sua banda, o Colarinhos Caóticos. Este projeto alegrou os começos de semana e atraiu bastante atenção do público, sucumbiria quando o Porto de Elis foi vendido, mas, ganhou nova força noutro formato, virou programa de rádio na Felusp FM e, mais tarde, esta coletânea.

                    Em "Segunda Sem Ley" são 18 bandas diferentes, todas de Porto Alegre e todas com uma canção somente, parece que a seleção privilegiou as mais doidas da cidade, falar sobre cada uma delas é difícil, pois, algumas realmente não têm nada a dizer, enquanto outras apresentam bons resultados, vamos a estes:

                   Júpiter Maçã se lançou pela primeira vez neste disco, e começou muito bem, "Orgasmo Legal" é divertida, poderia facilmente estar num dos LPs do Cascavelletes. Barba Ruiva e os Corsários tem um rockabilly afiado em "De Novo (Vagabunda)", outro caso de letra hilária. Walverdes já mostrava saber fazer o que fazem até hoje, barulho em volume alto, a letra homenageia Mussum e outros influentes finados. Tarcísio Meira's Band parece uma banda de hardcore, mas, não muito convencional, a letra relata atos de um padre safado. Pietá parece uma banda de grindcore. Tequila Baby apresenta um punk rock muito bom em "Malandro do Bom Fim", outra ótima letra e aquele jeitão ramoníaco inevitável. Aristhóteles de Ananias Jr. apronta "Bico de pato" com uma liberdade criativa e um sax notáveis. Space Rave com guitarras barulhentas e encharcadas de distorção, barulhos fantasmagóricos e vocal feminino e masculino, chega a lembrar o, também gaúcho, Damn Laser Vampires.

                    O projeto gráfico é caprichadíssimo, com capa e ilustrações de Allan Sieber, encarte com letras, fotos e informações de todas as bandas, além de uma apresentação do projeto. O disco teve pouca repercussão fora do Rio Grande do Sul e, devido a sua pequena tiragem, ficou pouco tempo em catálogo, encontrar um CD destes hoje não é tarefa fácil. Enfim, uma coletânea com muita banda e música para se descobrir mostrou que o projeto deu muito certo!

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domingo, 29 de abril de 2012

Ratos de Porão + Sepultura - 80's jam sessions "We are a fuckin' shit!: uma sensacional compilação de bandas que não existem" (Rotthenness, 2000)



             
                Só para fãs, e daqueles tipos mais estúpidos. Este disco é uma grande zoeira, reúne as ideias mais doidas do João Gordo com o apoio dos demais RDP's - Jão, Jabá, Spaghetti - mais o Sepultura - Igor, Max e Andreas - e outras intervenções em bandas que jamais existiram, muito menos foram preparadas ou ensaiadas. Como o título diz, são jam sessions ocorridas na década de 80 e que reunem parte da loucura que foi a trajetória do Ratos de Porão, quem já viu o documentário "Guidable" e o DVD de extras pode ouvir este disco sem problemas, o filme funciona como um guia.

             Este CD foi lançado originalmente numa fita K7 em 1989, permaneceu como uma curiosa raridade até 2000 e mesmo depois de ganhar sua ediçao em CD em 2000, pelo selo Rotthenness Records (especialista em noise core, grind) não fugiu de sua característica existencial, um disco que não deve ser ouvido.

             Entretanto, são 10 bandas em 12 faixas (mais um bônus surpresa), cada faixa é uma banda e as gravações são de baixa qualidade, variam entre o horrível e o audível. O CD abre com a Barulheiras Parkinson, a mais ativa das bandas inexistentes deste disco, basicamente reúne o núcleo RDP num revezamento de instrumentos, Jão volta pra bateria, Gordo mostra os "dotes" de baixista. O Jamais Jamel traz Gordo, Max e Igor ao vivo num lugar chamado Limbo, em 1988, numa banda de noise core que só teria público se se levasse em conta as figurinhas barulhentas da recém banda. PxDxRx é o RDP levando covers de Extreme Noise Terror, Discharge e Lurkers, gravação boa! Retumbators é algo que hoje chamaríamos de one man band mais tosca dos últimos dias, nada mais que o Gordo com um liquidicador, serviu de base para a formação do TDG, na década seguinte, dessa vez com o Pedrão a cargo do eletrodoméstico a serviço do noise. O disco segue com outras "bandas", tais como Fantahuva (ouça essa, parece um ensaio do Minutemen!) Spalmidead, Broken Foot, Madonna's Kids (um coral para o noise!) uma gravação de "Caos" com o próprio RDP e fecha com outra formação reunindo Sepultura e João Gordo, dessa vez denominados como J. Dingão e Seus Dingo Lindos ao vivo no Dama Xoc, covers de Titãs, Dead Kennedys, Sex Pistols, Ramones e outros numa gravação muito legal, quase um presente para quem prestou atenção em todas as bandas e faixas.

             "We are a fuckin' shit" teve uma tiragem pequena e quase nenhuma divulgação, o eficiente projeto gráfico é da Priscila Farias, que ilustrou a fabulosa revista Animal, tocou bateria no Disk Putas e Kleiderman, o encarte traz as informações necessárias para conhecer o disco, e sem ele fica difícil reconhecer qualquer coisa nesta zona, tem a formação das "bandas" e canções. Enfim, um disco sem nenhuma pretensão que se não fosse este relançamento da Rotthenness permaneceria como uma lendária K7 cheia de pequenas lendas, ou histórias para contar, bom, na verdade ainda é isso mesmo.

              Quer conhecer esta zoeira? Download aqui!

domingo, 22 de abril de 2012

Alvos Móveis (Suck My Discs, 1996)




            Alvos Móveis é o nome do projeto dos guitarristas paulistanos Giuseppe Lenti e Miguel Barella e este é seu primeiro disco. Estes dos guitarristas têm uma trajetória extensa no underground paulistano, estiveram juntos no Voluntários da Pátria e tocaram com outros grupos e pessoas, este projeto começou em 1987 e gravou este disco no ano seguinte, iria ser lançado em LP pelo selo/loja Wop Bop, mas, as crises financeiras não permitiram isso naquele momento e essa estréia só foi lançada em 1996 pelo estreante selo Suck My Discs.

           Além da dupla Giuseppe/Miguel este disco contou com a participação de Akira S e seu baixo em metade das músicas, Fábio Golfetti toca cítara em "Dança/Danza", por sinal, uma das mais belas do álbum. A produção é de Geraldo d'Arbilly, são 10 canções, todas instrumentais, nas quais a dupla desfila sua técnica sem exagero de virtuosismos, experimentam efeitos e instrumentos, a influência de Robert Fripp é constante, praticamente uma unanimidade entre todos os envolvidos na confecção deste disco. A canção "Borgo San Frediano" é a única não inédita, pois, foi com esta canção que a dupla participou da coletânea de experimentos em estúdio "Rock de Autor" (Manifesto, 1991).

           O disco teve pouca repercussão na mídia e nenhum show de lançamento, muito por conta da característica do projeto. O projeto gráfico do disco é simples, contém foto dos guitarristas e ficha técnica, na capa uma imagem distorcida de uma corrida de carros. O Alvos Móveis gravou um segundo álbum, lançado pelo selo Voiceprint.

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terça-feira, 17 de abril de 2012

Anarchy Solid Sound "Be honest with yourself" (Tinitus, 1994)



                 Esta banda de Niterói/RJ formada em 1991 primeiramente era um quarteto de hardcore, mas, tornou-se um trio no dia mais importante de sua existência.

                 Corria o ano de 1993 e com uma demo tape, de mesmo nome deste álbum, o A.S.S. conseguiu um contato com Pena Schmidt, dono do selo Tinitus, que se interessou pela banda e marcou de vê-los ao vivo em São Paulo, no caminho do Rio para SP houve um desentedimento entre os membros e o vocalista Téo deixou a banda, que mesmo assim se apresentou e conseguiu o contrato com a Tinitus (isso está reltado com mais fidelidade no livro Esporro de Leonardo Panço).

                 Entretanto, o resultado das 11 canções de "Be honest..." está bem aquém das possibilidades da banda, e do suporte da gravadora, as canções são bem executadas, à princípio, foram testadas ao vivo muitas vezes, pois, o A.S.S. fez muitos shows, mas, neste álbum falta punch, as letras em inglês 5ª série não ajudam muito também, a produção, à cargo da própria banda, se perdeu e pouco pode-se destacar. Ainda assim, é o álbum importante, atípico no catálogo da Tinitus e representativo para o underground carioca.

                 O projeto gráfico é ruim, tem uma das piores capas que já vi, o encarte traz todas as letras.

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